Artigo da Presidência da Fundação MIS.
- 09/10/2026
Há momentos em que um número deixa de ser apenas um número.
Chegar à matéria 1000 da Rádio MIS RJ é um desses momentos.
Desde abril de 2021, quando a Rádio começou sua trajetória, carregamos uma ideia que considero essencial para qualquer instituição dedicada à memória: aquilo que preservamos precisa encontrar caminhos para ser compartilhado.
O Museu da Imagem e do Som tem a responsabilidade de guardar parte importante da memória cultural do Rio de Janeiro e do Brasil. Mas guardar não basta. É preciso pesquisar, contextualizar, comunicar e, sobretudo, aproximar essa memória das pessoas.
Foi com esse propósito que a Rádio MIS RJ nasceu.
Ao longo desses anos, ela se transformou em uma importante extensão do próprio Museu. A cada matéria, uma história ganhou espaço. A cada entrevista, uma voz voltou a ser ouvida. A cada registro, uma parte da nossa cultura encontrou uma nova possibilidade de permanecer viva.
Em 2024, chegamos à matéria 500. Agora, alcançamos a 1000ª.
O que me emociona nesse percurso não é apenas a dimensão do número, mas aquilo que existe por trás dele.
Existem pessoas.
Existem artistas, jornalistas, historiadores, museólogos, pesquisadores, músicos, cineastas, fotógrafos, comunicadores e tantos outros personagens que ajudaram a construir a identidade cultural brasileira. Existem também histórias familiares, lembranças pessoais e acontecimentos que, muitas vezes, poderiam se perder com o passar do tempo.
Preservar essas histórias é uma forma de respeito.
E compartilhá-las é uma forma de mantê-las vivas.
Como presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, acompanho essa trajetória com orgulho, mas também com a consciência da responsabilidade que temos diante do futuro.
Uma instituição de memória não trabalha apenas para o presente. Trabalha para aqueles que ainda virão.
Cada documento preservado, cada fotografia catalogada, cada depoimento registrado e cada história compartilhada representa uma ponte entre gerações.
A Rádio MIS RJ faz parte dessa ponte.
Ela permite que uma voz gravada há décadas possa ser ouvida hoje. Que uma história do passado possa despertar curiosidade no presente. Que alguém, em qualquer lugar, possa descobrir um personagem, uma música ou um momento da nossa cultura e perceber que aquela história também lhe pertence.
Talvez seja essa a verdadeira dimensão da matéria 1000.
Não são mil matérias.
São mil possibilidades de encontro com a nossa memória.
Por isso, esta celebração não é apenas da Rádio. É de todos que participaram dessa construção desde 2021. Dos profissionais do MIS que trabalham diariamente para transformar pesquisa e acervo em conhecimento. Dos artistas e familiares que confiam suas histórias à instituição. Dos parceiros que caminham conosco. E, principalmente, dos ouvintes que fazem com que todo esse trabalho tenha sentido.
A memória só permanece viva quando circula.
Quando é ouvida.
Quando é compartilhada.
Quando consegue tocar alguém que talvez nem estivesse procurando por aquela história.
É isso que desejamos continuar fazendo.
Olhando para os próximos capítulos, temos ainda muito a preservar, muitas histórias a revelar e muitas vozes a fazer chegar às novas gerações.
A matéria 1000, portanto, não representa uma chegada.
Representa a continuidade de um compromisso.
O compromisso de cuidar da memória, valorizá-la e colocá-la a serviço das pessoas.
Porque um país que conhece e respeita sua memória compreende melhor o seu presente e pode construir com mais consciência o seu futuro.
E o MIS RJ continuará fazendo a sua parte.
Cesar Miranda Ribeiro
Presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro



