“Essência MIS - Moda e Cultura” percorre a história do vestuário feminino no Brasil

  • 09/10/2026

“Essência MIS - Moda e Cultura” percorre a história do vestuário feminino no Brasil

Fruto de um Acordo de Cooperação entre a Fundação Museu da Imagem e do Som e a Rádio Roquette-Pinto, irá ao ar neste sábado, 3/10, o quarto e último episódio da temporada “Essência MIS - Moda e Cultura”. Apresentado por Daiane Lopes, historiadora e coordenadora do Setor Iconográfico do museu, o programa percorre a história do vestuário feminino no Brasil, acompanhando as transformações da silhueta, dos estilos e dos padrões estéticos ao longo das décadas, registradas pelas lentes de importantes fotógrafos e pelo acervo da F.MIS.

“A história do vestuário também é uma forma de compreender as transformações da sociedade. Observando as fotografias preservadas pela F.MIS, podemos acompanhar mudanças nos costumes, nos comportamentos e na maneira como as mulheres passaram a ocupar os espaços públicos. Essas imagens ajudam a preservar diferentes momentos dessa trajetória e mostram como a moda também pode ser entendida como expressão de identidade, memória e cultura”, destaca Cesar Miranda Ribeiro, presidente da F.MIS.

Ao longo do episódio, Daiane conduz os ouvintes por uma viagem que começa no final do século XIX e início do século XX, período em que o vestuário feminino das elites urbanas brasileiras era fortemente influenciado pelos padrões europeus. Vestidos volumosos, corpetes, espartilhos, anáguas, chapéus e tecidos nobres compunham uma estética marcada pela sofisticação, mas também pela limitação dos movimentos femininos.

As fotografias de Augusto Malta e Guilherme Santos preservadas no acervo da F.MIS registram parte desse cotidiano e ajudam a observar como as roupas funcionavam também como símbolos de status social. O episódio acompanha ainda as primeiras transformações ocorridas nas décadas de 1910 e 1920, com a simplificação das vestimentas e o surgimento das chamadas “melindrosas”, que representaram novas formas de comportamento e de expressão feminina.

A partir das décadas de 1940 e 1950, o programa mostra como a moda passou a dialogar de maneira mais intensa com o cotidiano urbano e com a cultura de massa. A sofisticação do chamado “New Look” conviveu com uma moda mais prática e urbana, enquanto vestidos ajustados à cintura, saias evasês e estampas florais e de poás marcaram a estética feminina do período. As fotografias de Guilherme Santos ajudam a registrar essas mudanças nas ruas do Rio de Janeiro.

O episódio chega então aos anos 1960, período marcado por profundas transformações culturais e comportamentais. Nesse contexto, a minissaia ganha destaque como um dos principais símbolos da renovação da moda e da juventude. A criação e popularização da peça por Mary Quant e sua rápida incorporação no Brasil são apresentadas no programa como parte de um cenário de mudanças na relação das mulheres com o próprio corpo, com a moda e com o espaço público.

As lentes de Ronaldo Câmara registraram a efervescência cultural e artística das décadas de 1960 e 1970, incluindo elementos como minissaias, botas de cano alto, estampas psicodélicas, tecidos sintéticos e cortes geométricos. O programa também mostra como essas transformações estéticas dialogaram com a música e com outras manifestações da cultura brasileira.

No final dos anos 1960 e ao longo dos anos 1970, a moda feminina passou a incorporar novas formas de expressão e identidade. O episódio destaca a influência da Tropicália e da contracultura, além da valorização de identidades raciais e regionais, com o uso de túnicas, estampas, jeans customizados e adereços artesanais.

Nesse contexto, o trabalho de Januário Garcia ganha destaque. Suas fotografias registraram movimentos negros urbanos, a valorização do cabelo afro, das batas e de diferentes referências estéticas, documentando como o vestuário também se tornou uma forma de afirmação cultural e de expressão de identidade.

O programa também retoma a produção de Ronaldo Câmara, responsável por registrar artistas, cantoras e atrizes que influenciaram a moda por meio da televisão, do teatro e da música popular brasileira. Dessa forma, as fotografias preservadas pela F.MIS revelam diferentes maneiras pelas quais o vestuário se relacionou com a cultura, a arte e as transformações sociais do país.

Intercalando os relatos históricos com música, o episódio apresenta canções que dialogam com diferentes momentos da trajetória do vestuário brasileiro. Entre elas estão “O que é que a baiana tem?”, na voz de Carmen Miranda, “Com que roupa?”, de Noel Rosa, “Camisa Listrada”, também interpretada por Carmen Miranda, além de “Joux Joux e Balangandãs”, “A vizinha do lado”, “A dama de vermelho”, “Biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho”, “Camisa amarela”, “Acelerou”, “Alegre menina”, “Vestido de Bolero” e “Plumas e paetês”.

Ao percorrer diferentes décadas, o “Essência MIS - Moda e Cultura” mostra como as transformações do vestuário feminino acompanharam mudanças culturais e sociais no Brasil. Das roupas marcadas pelos padrões de elegância e restrição do início do século XX às múltiplas formas de expressão que ganharam força a partir dos anos 1960 e 1970, as fotografias do acervo da F.MIS ajudam a preservar diferentes capítulos dessa história.

O “Essência MIS - Moda e Cultura” tem apresentação, curadoria musical e revisão de roteiro de Daiane Lopes, com roteiro e editoria de Carlos Filho. A captação de som é de André Luís, a cobertura e divulgação são de Marcelo Egypto e Elson Ribeiro, e o tratamento de áudio e sonorização são de Renato Alencar.

Para ouvir, basta sintonizar a Rádio Roquette-Pinto (94,1 FM) ou acompanhar pela Rádio MIS RJ, no link: https://fmis.rj.gov.br

Publicado em 09/10/2026 por Marcelo Egypto


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