“Essência MIS - Especial Centenário de Zezé Gonzaga” homenageia uma das grandes vozes da música brasileira

  • 09/10/2026

“Essência MIS - Especial Centenário de Zezé Gonzaga” homenageia uma das grandes vozes da música brasileira

Fruto de um Acordo de Cooperação entre a Fundação Museu da Imagem e do Som e a Rádio Roquette-Pinto, irá ao ar neste sábado, 10/10, o primeiro episódio do “Essência MIS - Especial Centenário de Zezé Gonzaga”. Apresentado por Carlos Filho, historiador e comunicador da F.MIS, o programa celebra os 100 anos de nascimento da cantora Zezé Gonzaga e recebe o cantor, jornalista, pesquisador e apresentador Pedro Paulo Malta para uma conversa sobre a trajetória da artista, o mercado fonográfico e a preservação da memória musical brasileira.

“Celebrar o centenário de Zezé Gonzaga é reconhecer a importância de preservar as trajetórias de artistas que ajudaram a construir a história da música brasileira. O acervo da F.MIS nos permite acessar não apenas suas gravações, mas também documentos, fotografias e o seu Depoimento para a Posteridade, criando diferentes caminhos para compreender a dimensão de sua carreira e o legado de uma intérprete de grande importância para a nossa cultura”, destaca Cesar Miranda Ribeiro, presidente da F.MIS.

Ao longo do primeiro episódio, Carlos Filho e Pedro Paulo Malta revisitam os primeiros anos da vida de Maria José Gonzaga, nascida em 1926, em Manhuaçu, Minas Gerais, e criada em Além Paraíba. O programa destaca a presença da música em sua infância, marcada pelo contato da família com instrumentos de corda e flauta, e acompanha sua mudança para o Rio de Janeiro na década de 1940, quando a família se estabeleceu no Engenho de Dentro.

O episódio também aborda os primeiros passos de Zezé no mercado de trabalho e sua aproximação com o rádio, em um período de grande expansão das emissoras cariocas. Antes de alcançar o reconhecimento como cantora, a artista percorreu um caminho de formação que culminaria em sua entrada para o universo radiofônico e fonográfico.

Entre os registros musicais dessa primeira fase estão “Exaltação à Bahia”, composição de Vicente Paiva e Chianca de Garcia, que Zezé cantou diversas vezes no início da carreira, e “Desci”, de Cláudio Luiz e Alcir Pires Vermelho, seu primeiro registro fonográfico em 78 rpm, lançado em 1949 pela gravadora Star, acompanhada por Silvio Cesar e sua orquestra.

Em 1949, Zezé Gonzaga passou a integrar o cast da Rádio Nacional, uma das principais emissoras da América Latina. O programa destaca como a rotina da rádio, marcada pela exigência de pontualidade, leitura de partituras e versatilidade, contribuiu para consolidar o perfil profissional da cantora. Paralelamente, Zezé ampliou sua presença na indústria fonográfica, com gravações por diferentes gravadoras.

Entre os destaques dessa fase estão “Canção de Dalila”, de Victor Young, com versão de Clímaco César, que se tornou um grande sucesso de vendas em 78 rpm em 1951, e “Linda Flor (Ai, ioiô)”, de Henrique Vogeler, Cândido Costa e Luiz Peixoto, gravada por Zezé em 1956 e responsável por lhe render o prêmio de disco do ano pelo Clube dos Cronistas de Discos.

A conversa também aborda a importância dos arquivos de rádio e dos acervos históricos para a reconstrução da trajetória de artistas que nem sempre deixaram uma discografia extensa em determinados períodos de suas carreiras. Nesse contexto, o acervo da F.MIS ganha destaque, especialmente pela preservação do Depoimento para a Posteridade de Zezé Gonzaga, realizado em 1993, e da coleção da artista, incorporada à Fundação em 2008 e composta por milhares de itens.

Outro momento destacado é a gravação de “Óculos Escuros”, de Valzinho e Orestes Barbosa, em 1955. A música marca uma importante aproximação de Zezé com compositores ligados a uma produção musical sofisticada e revela uma característica que acompanharia sua trajetória, a valorização de repertórios de grande qualidade artística.

Na virada dos anos 1950 para os anos 1960, Zezé também gravou obras de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, como “Eu Sei Que Vou Te Amar” e “A Felicidade”. O episódio discute ainda as transformações provocadas pela chegada da Bossa Nova e, posteriormente, pela MPB de festival, que alteraram profundamente o mercado fonográfico e o espaço ocupado pela chamada “geração do rádio”.

A partir dessas mudanças, o programa reflete sobre a transformação dos hábitos de consumo de música e sobre os novos caminhos encontrados por intérpretes que haviam se destacado no período de ouro do rádio. A trajetória de Zezé Gonzaga é apresentada, assim, como parte de um processo mais amplo de transformação da música popular brasileira e da indústria fonográfica.

O “Essência MIS - Especial Centenário de Zezé Gonzaga” tem apresentação e pauta de Carlos Filho, com participação especial de Pedro Paulo Malta. A captação de som é de André Luis, a cobertura e divulgação são de Marcelo Egypto e Elson Ribeiro, a fotografia é de Karoline Freitas, e o tratamento de áudio e sonorização são de Renato Alencar.

Para ouvir, basta sintonizar a Rádio Roquette-Pinto (94,1 FM) ou acompanhar pela Rádio MIS RJ, no link: https://fmis.rj.gov.br

Publicado em 09/10/2026 por Marcelo Egypto


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