Depoimento de Roberto Burle Marx sobre o Parque do Flamengo passa a integrar acervo da F.MIS
- 06/11/2026
A Fundação Museu da Imagem e do Som recebeu uma doação de aproximadamente 13 horas de gravações de depoimentos relacionados ao projeto do Parque do Flamengo, realizadas no Rio de Janeiro, em 1990. Entre os registros está uma entrevista com o paisagista e artista plástico Roberto Burle Marx, um dos principais nomes da arquitetura paisagística brasileira. O material, originalmente registrado em fitas K7 e mantido guardado por cerca de 30 anos, foi recebido pela instituição e passou por um processo de restauração e digitalização realizado pela equipe do museu, sob a doação da professora e pesquisadora Lucia Maria Sá Antunes Costa.
“Receber esse material é uma oportunidade de ampliar nosso acervo com registros de grande relevância para a memória cultural e urbanística do Rio de Janeiro. A preservação desses depoimentos permite que histórias, experiências e conhecimentos de pessoas fundamentais para a construção do Parque do Flamengo permaneçam acessíveis às futuras gerações”, destaca o presidente da F.MIS, Cesar Miranda Ribeiro.
Além de Burle Marx, o conjunto reúne entrevistas com outros 13 participantes, entre arquitetos, paisagistas, pesquisadores e profissionais ligados à história do projeto, como Luiz Emygdio de Mello Filho, Ethel Bauzer de Medeiros, Mario Ferreira Sophia, Maria Augusta Costa Ribeiro, Rosi Peixoto, Marcos Konder Neto, Carmen Portinho, Julio Pessolani, Renato Primavera, Haruyoshi Ono, Rachel Sisson, Fernando Chacel e Luiz Paulo Conde.
Em seu depoimento, Roberto Burle Marx também explicou a inspiração e os objetivos que nortearam a concepção do Parque do Flamengo, destacando a valorização da flora nacional e o caráter educativo do espaço. “No Brasil, temos uma riqueza enorme de espécies arbóreas, então tive a ideia de usar espécies que não víamos muito em parques, como as palmeiras, temos palmeiras extraordinárias no Brasil e elas não são utilizadas. A ideia do Parque do Flamengo era criar um parque com um número extenso de espécies brasileiras e com uma série de funções além da estética. O parque é didático, serve para ensinar as pessoas a conhecerem as espécies brasileiras. O parque é para o povo, para equilibrar a vida das pessoas”, afirmou.
As gravações foram realizadas por Lucia Costa durante sua pesquisa para a tese de doutorado sobre o Parque do Flamengo. Para a pesquisadora, a incorporação desse material ao acervo da Fundação representa uma oportunidade de ampliar o acesso a fontes históricas importantes. “As entrevistas foram realizadas no Rio de Janeiro, em 1990. Acredito que esse material seja de interesse para pesquisadores que buscam informações sobre os artistas e o Parque do Flamengo”, afirma.
Com a recuperação e a digitalização das gravações, a F.MIS assegura a preservação de registros que documentam diferentes perspectivas sobre a história do Parque do Flamengo. O material passa a integrar o acervo da instituição, ampliando as possibilidades de consulta e pesquisa sobre um dos espaços públicos mais emblemáticos da cidade.
Publicado em 06/11/2026 por Marcelo Egypto







