O “PRATO DE JOÃO DA BAIANA” DE VOLTA AO ACERVO DO MIS RJ!
- 13/09/2022
“Batuque na cozinha
Sinhá não quer
Por causa do batuque
Eu queimei meu pé”
Esse refrão, que se tornou famoso e inesquecível em gravação de Martinho da Vila, na década de 70, é da música “Batuque na Cozinha”, a mais conhecida de João Machado Guedes, o João da Baiana, “de Ogum e Xangô”, conforme o pesquisador José Ramos Tinhorão informa que ele gostava de ressaltar. Esse neto de escravos, que nunca teve mestres de música, é considerado o introdutor do pandeiro no samba, instrumento que era só usado em orquestras.
O artista, que desde garoto fazia samba, transformou faca e prato em instrumentos de percussão, e, já que estamos falando em prato, o “Prato de João da Baiana” está de volta ao MIS RJ, depois de uma temporada no SESC 24 de Maio, em São Paulo, participando da Exposição “Raio-que-o-parta: ficções do moderno no Brasil”. Emprestado por meio de um “Termo de Cessão de Uso não Onerosa”, foi a segunda vez que a peça, pintada por João da Baiana e pertencente à Coleção Almirante, foi enriquecer outras exposições. Em 2018 o “Prato de João da Baiana” participou da Exposição “O Rio do Samba: resistência e reinvenção”, realizada no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).
Como afirma o Presidente do MIS RJ, Cesar Miranda Ribeiro, “O “Prato de João da Baiana” saiu e voltou ao acervo com a segurança e a responsabilidade que uma peça tão preciosa exige. Na ida para a capital paulista foi supervisionado pela servidora Eliane Vilela Antunes, responsável técnica pelo Setor Tridimensional. É o Museu contribuindo para que mais brasileiros tenham acesso ao nosso patrimônio cultural e descubram a história de tantos personagens fundamentais. ”
Cantor, compositor, ritmista, autor de clássicos, e ainda pintor de paisagens do Rio e cenas do carnaval, João da Baiana chegou a ser preso por fazer samba, atividade considerada “coisa de malandro”. Fez parcerias com Donga, Pixinguinha, Clementina de Jesus, conheceu o maestro Heitor Villa Lobos, Chiquinha Gonzaga e trabalhou com os grandes Almirante e Hermínio Bello de Carvalho, entre muitas outras estrelas.
O MIS RJ salvaguarda centenas de itens desse pioneiro do samba, como fotografias, partituras, músicas, textos, e o seu histórico “Depoimento para a Posteridade”, que abriu a importante série do Museu, em 24 de agosto de 1966. Lá se vão 56 anos! João da Baiana foi convidado por Ricardo Cravo Albin, após ter o nome escolhido por unanimidade pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som. O artista ainda participou do “Depoimento para a Posteridade” de Pixinguinha e também do primeiro livro editado pelo MIS, “As vozes desassombradas do Museu”, que tem depoimentos dele, de Pixinguinha e Donga. Por ocasião do centenário de João da Baiana, em 1987, o Museu da Imagem e do Som realizou uma exposição em sua homenagem.
Para pesquisar esse notável percussionista, que merece toda a nossa reverência, basta enviar e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br e agendar uma visita ao Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin.
E, caro ouvinte, ao terminar de ler este texto, escute o delicioso Folhetim MIS RJ, sobre João da Baiana, apresentado e produzido pelo talentoso sonoplasta Renato Alencar !
Publicado em 13/9/22 por Tetê Nóbrega







