PAULO TAPAJÓS: HÁ 109 ANOS NASCEU UM GIGANTE DO RÁDIO!

  • 20/10/2022

PAULO TAPAJÓS: HÁ 109 ANOS NASCEU UM GIGANTE DO RÁDIO!

“O rádio de transistores pode ser considerado a “salvação da lavoura”.

Foi a arma mais eficiente inventada para o rádio quando o rádio mais

dela precisava. Tem sido tão eficaz no combate à televisão que já vi

várias pessoas assistindo a programas de televisão e usando no ouvido

o fone ligado ao seu transistor. Enquanto veem um programa na televisão

estão ouvindo o jogo de futebol pelo rádio e a mensagem do patrocinador ”

A realidade do rádio e da televisão mudou muito desde essa afirmação de Paulo Tapajós para a Revista do Rádio, em 1959. Mas quem foi esse profissional tão relevante para o rádio brasileiro?

Um ano antes de estourar a Primeira Grande Guerra, nascia, em 20 de outubro de 1913, no bairro de Botafogo, no Largo dos Leões, um homem que viria a deixar seu nome eternizado na radiodifusão: Paulo Tapajós. Cantor, compositor, diretor, produtor, pesquisador, ele atuou nas rádios Sociedade do Rio de Janeiro, Nacional, Tupi, Record, MEC e também na televisão.

O menino - que estudou piano, violão e canto - queria ser arquiteto. No recreio do tradicional Colégio La-Fayette, um estúdio radiofônico improvisado virava palco para, em companhia de seu irmão Haroldo, divertir os colegas. Treinava, sem saber, para um futuro brilhante.

Em 1928, com 15 anos, Paulo formou o trio vocal “Irmãos Tapajós”, com Haroldo e Oswaldo, seu irmão mais novo. Talento sobrava na família. Na Rádio Sociedade interpretavam canções populares. Quando Oswaldo deixou o trio, por conta de sua mudança de voz, Paulo seguiu em dupla com Haroldo. O primeiro disco dos irmãos, de 1932, trazia as músicas “Loura ou Morena” e “Doce Ilusão”, de Haroldo Tapajós e Vinícius de Moraes. Nos discos seguintes de 78 rotações, de 1933 e 39, nova parceria com o futuro “Poetinha” e os ases Lamartine Babo, Alcir Pires Vermelho, Alvaiade e Alcides Lopes. Sendo que, em 1935, Paulo gravou o primeiro disco sem Haroldo: fez um dueto com Almirante, interpretando as músicas “Prenda Minha “ e Aquela China”. Os irmãos lançaram 12 discos. Quando Haroldo resolveu ingressar no Itamaraty, Paulo iniciou carreira solo.

O “Trio Melodia”- formado quando a Rádio Nacional precisou de um conjunto para interpretar música folclórica - é parte da trajetória de Paulo Tapajós, que estreou, na companhia de Nuno Roland e Albertinho Fortuna no programa “Um milhão de melodias”, de 1943. Essa atração foi produto da união criativa de Tapajós e Radamés Gnatalli, assim como “Quando Canta o Brasil” e “Cancioneiro Royal”. Outro grande sucesso na PRE-8, “Quando os maestros se encontram”, foi idealizado e produzido por Tapajós.

Paulo Tapajós fez parte da infância de muita gente: na década de 40 participou das primeiras dublagens dos desenhos animados de Walt Disney. Nos anos 50, a famosa Coleção Carroussel, de discos infantis, teve sua assinatura na produção e direção artística. A etiqueta “Disquinho”, da Continental, de fábulas e histórias para crianças, em compactos coloridos de vinil, idealizada e produzida por Braguinha, com arranjos de

Radamés Gnatalli, tinha a participação de artistas renomados, entre eles, o ilustre Paulo Tapajós.

O premiado radialista sabia tudo da música popular brasileira, foi um dos grandes produtores da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e, por quase 30 anos, atuou como diretor - artístico da emissora. Criou um de seus maiores sucessos, o programa “ Turma do Sereno”. Na Rádio MEC da década de 70 o mestre Tapajós colaborou com os programas do Projeto Minerva, para educação de jovens e adultos, e ainda foi responsável por outros programas musicais até os anos 90, entre eles, “Antologia do Choro”, “MPB ao cair da Tarde”, “O Assunto é Noel” e “Histórias de Engambelar”.

A Coleção Paulo Tapajós está salvaguardada no MIS RJ. O legado cultural desse estudioso que fez parte do Conselho Superior de Música Popular do Museu é imenso. São fitas rolo, K-7, discos de acetato, discos 78 rpm, compactos, LPs, mais de mil CD-Rs com programas do auge da Rádio Nacional. E tem mais de 10 mil itens entre partituras, fotos, documentos textuais e bibliográficos.

Para pesquisar “o último dos modinheiros” basta enviar e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br e agendar uma visita ao Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin.

Publicado em 20/10/22 por Tetê Nóbrega


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