MIS RJ chega a 1.109 testemunhos registrados na série 'Depoimentos para a Posteridade'

  • 14/12/2023

MIS RJ chega a 1.109 testemunhos registrados na série 'Depoimentos para a Posteridade'

O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro acredita que o futuro tende a refletir a "bagagem" adquirida ao longo do tempo. Sendo assim, vislumbra dias belos, espelhados no encanto dos 1.109 "Depoimentos para a Posteridade" colhidos desde 1966. O projeto sofreu interrupções durante a pandemia de Covid-19, mas foi retomado em 2021 pela atual gestão e segue fortalecido. O mais recente depoente foi o romancista imortal da ABL, Carlos Nejar.

A lista é extensa e inclui nomes como João da Baiana, Heitor dos Prazeres e Pixinguinha, os primeiros a darem o testemunho. Também teve espaço para um jovem gênio da música, que veio a se tornar um dos artistas mais consagrados do país: o cantor, compositor e escritor Chico Buarque. Os depoentes foram escolhidos pelo Conselho de Música Popular Brasileira, criado e formado, pela "nata" da classe artística e intelectual carioca. O idealizador, Ricardo Cravo Albin (diretor do MIS, na época), teve como inspiração o projeto formatado por Carlos Lacerda (ex-governador do Estado da Guanabara).

A série "Depoimentos para a Posteridade" traduz a essência da instituição que salvaguarda o acervo audiovisual do século XX mais importante do Estado Fluminense e abriga o maior banco de dados sobre MPB do país. Os testemunhos orais, produzidos exclusivamente pelo Museu da Imagem e do Som, constituem um tesouro que cresce ao longo de 57 anos, acompanhando o desenvolvimento do próprio MIS RJ.

Dentre as preciosidades salvaguardadas pelo Museu está o depoimento prestado no dia 20 de outubro de 1976 por uma das escritoras mais célebres da literatura brasileira: Clarice Lispector. No último sábado (09/12), a morte da romancista, que tinha por hábito falar de existencialismo com estilo intimista, completou 103 anos. Clarice Lispector morreu no dia 9 de dezembro de 1977, ano seguinte ao registro feito pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, que é considerado o testemunho mais completo dado pela escritora.

Para o presidente do Museu, Cesar Miranda Ribeiro, a série "Depoimentos para Posteridade" é o MIS vivo, gerador do seu próprio acervo.

"Trata-se de um projeto que já era pioneiro na época em que surgiu, e que se mantém como algo único, rico como a sua própria instituição criadora. O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro não para de evoluir, intelectual e fisicamente. Além da sede da Lapa, temos a sede da Praça XV, que possui toda a estrutura necessária para as gravações dos depoimentos. Com a nova sede, que está sendo construída em Copacabana pelo Governo do Estado do Rio por meio de convênio com a Fundação Roberto Marinho (FRM), teremos um novo marco e mais uma possibilidade de cenário para as gravações", destaca Cesar Miranda.

A possibilidade de fazer o primeiro "Depoimento para a Posteridade" na sede de Copacabana não será o primeiro desafio vencido pelo atual presidente do MIS RJ. Em 2021, quando assumiu a gestão, precisou reformular e adaptar a série por conta das restrições impostas pela pandemia. Gravou, pela primeira vez na história do Museu, um depoimento com participações virtuais. Dirceu Rabelo, locutor e conhecido por ser "a voz da TV Globo", deu seu testemunho na Biblioteca Parque Estadual, no Centro, sede da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, com a interação online de dois amigos de profissão.

O projeto foi sendo aperfeiçoado tanto na metodologia utilizada, quanto tecnicamente. Enquanto o início dos depoimentos foi marcado pelo simples registro da vida e obra de personalidades populares e eruditas, não demorou para que a proposta fosse lapidada. Se inicialmente o objetivo era o simples registro para a posteridade, com os novos processos adotados o trabalho passou a ter status de fonte de pesquisa.

Atualmente, a produção inclui uma pesquisa profunda da biografia do depoente, o desenvolvimento de uma pauta com a trajetória do mesmo e a confirmação, pelo próprio autor do testemunho, das informações reunidas. O método engloba ainda a participação de amigos, familiares ou qualquer pessoa - indicada pelo depoente - que enriqueça a conversa ao relembrar fatos marcantes.

Em 1992, todos os testemunhos orais passaram a ser audiovisuais. Os depoimentos gravados em fitas VHS foram um marco para o enriquecimento do conteúdo. De acordo com o banco de dados do MIS, as captações de vídeo tiveram início em 1982 com o depoimento do cientista e médico Carlos Chagas Filho, mas só se firmaram 10 anos depois.

O perfil dos entrevistados foi mais um quesito que se atualizou. Além dos destaques do samba, da música em geral, como Ney Matogrosso e Quarteto em Cy, e dos intelectuais, personalidades de categorias diversas deixaram suas contribuições históricas para o Museu da Imagem e do Som. No esporte, nomes como o de Pelé, o Rei do Futebol; João Havelange, ex-atleta e ex-presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa); Maria Lenk, recordista mundial de natação; José Carlos Araújo, locutor esportivo e apresentador de TV conhecido como Garotinho; e Aída dos Santos, ex-atleta olímpica de salto em altura.

Atores e atrizes do porte de Fernanda Montenegro, Eva Todor e Nicete Bruno também tiveram seu testemunho registrado, assim como Humberto Mauro, um dos pioneiros do cinema brasileiro, e Maria da Penha Maia Fernandes, que foi vítima de violência doméstica e ativista que inspirou a criação da Lei Maria da Penha.

A série também abriu espaço para o reconhecimento de entidades, patrimônios imateriais e marcos históricos. Em 2022, três programas gravados com personalidades como o radialista Antônio Carlos, o também radialista, pesquisador de MPB e historiador Ricardo Cravo Albin, e o jornalista Cesar Miranda Ribeiro (atual presidente do MIS RJ), entre outros, homenagearam os 100 Anos do Rádio no Brasil. A Capoeira, os 100 anos de Abolição da Escravatura, a memória da Polícia Civil e os 40 anos do Programa Antártico Brasileiro são outros exemplos de projetos especiais.

O acervo do MIS RJ, incluindo os "Depoimentos para a Posteridade", está disponível para o público em geral e pesquisadores. Para acessar basta enviar um e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br e agendar uma visita ao Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin.

Publicado em 14/12/2023 por Fernanda Soares


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