Retrospectiva 2023 do MIS RJ tem inauguração do Estúdio Chacrinha, Coleção Ivan Lins e destaques na série Depoimentos para a Posteridade
- 28/12/2023
O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro encerra 2023 com muitas conquistas a serem comemoradas. Dentre os destaques da retrospectiva do ano estão a inauguração do Estúdio Chacrinha, a doação (feita pelo próprio artista) que levou a composição da Coleção Ivan Lins e o testemunho de dois ícones da literatura para a série Depoimentos para a Posteridade: Arnaldo Niskier e Carlos Nejar.
Foi numa tarde de abril que o cantor e compositor Ivan Lins presenteou o MIS RJ com sua presença na sede da Lapa para a formalização da doação de 517 itens relacionados a própria trajetória musical e pessoal. O acervo, que era particular, passou a ser salvaguardado pelo museu, responsável pelo maior banco de dados sobre MPB do país.
"A Coleção Ivan Lins é motivo de muito orgulho para o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro porque, além dos motivos óbvios, traduz a confiança do artista no trabalho desenvolvido pela instituição com 58 anos de história. Hoje, o MIS RJ tem a gratificante função de cuidar de 39 coleções de importantes personalidades da cultura brasileira. Somar os itens doados pelo cantor, que é referência para a nossa música, eleva nosso grau de satisfação com os projetos desenvolvidos ao longo de 2023", afirma o presidente do museu, Cesar Miranda Ribeiro.
Outra realização que merece destaque é a montagem e inauguração do Estúdio Chacrinha, em setembro, quando foi gravado o primeiro podcast do MIS RJ. A sala, equipada com mesa de som, iluminação, computadores, refrigeração e microfones específicos para locução, recebeu decoração alusiva ao museu e ao universo radiofônico, além de sistema de isolamento acústico para garantir a qualidade das gravações. O local é usado para diversas produções, como a série de podcasts do MIS RJ, "Dois Dedos de Prosa". As entrevistas com personalidades do universo da música, da cultura, da história e da literatura brasileiras serão lançadas no início de 2024.
Os meses de agosto e dezembro também deixaram sua marca num ano de muitas conquistas para o Museu da Imagem e do Som. Os acadêmicos e "imortais" da Academia Brasileira de Letras (ABL) Arnaldo Niskier e Carlos Nejar, respectivamente, deixaram seu testemunho para a série Depoimentos para a Posteridade, realizada pela instituição desde 1966.
Arnaldo Niskier é jornalista, doutor em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), escritor, filósofo, historiador e pedagogo. Como um dos intelectuais de maior destaque do país, foi secretário estadual de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura do Rio de Janeiro, e presidente da ABL.
O romancista Carlos Nejar, conhecido como o "poeta do pampa brasileiro", é o único gaúcho membro da ABL desde 1989. Escritor e poeta premiado, possui mais de cem obras publicadas ao longo dos mais de 60 anos de carreira nacional e internacional. O acadêmico, ficcionista, tradutor e crítico literário também exerceu carreira como promotor público e procurador de Justiça.
O MIS RJ conta com 1.109 depoimentos de figuras notáveis, entre eles, 37 imortais da ABL, como Carlos Heitor Cony, Rachel de Queiroz, Ana Maria Machado, Austregésilo de Athayde, Antônio Houaiss, Ariano Suassuna, Antônio Olinto, Marques Rebelo, Marco Lucchesi, Nélida Piñon, Fernanda Montenegro, Jorge Amado, Afonso Arinos de Melo Franco, Ferreira Gullar e muitos outros. O projeto Depoimentos para a Posteridade, realizado há 57 anos, tem o intuito de preservar a memória de setores e personalidades de áreas diversas, como a música, a literatura, os esportes e as artes, a partir dos relatos coletados. Ainda em 2023, Aída dos Santos, ex-atleta olímpica; Myrian Dauelsberg, musicista, pianista, professora e fundadora da Dellarte; Luiz Carlos Barreto, fotógrafo e diretor de cinema; e Ronaldo Câmara, fotógrafo, deixaram seus registros orais para o acervo do museu, que também eternizou a história da Capoeira com a série Memórias da Capoeira.
O ano contou ainda com as exposições "O Rádio Negro", "Nossas Sensações não são nossas: Rádio Nacional ontem e Carnaval hoje", "Trilhas da Memória: uma viagem pela história e cultura do MIS RJ" e "Retratos Povos da Floresta", com registros do fotógrafo Ronaldo Câmara. O presidente Cesar Miranda esteve presente no Festival de Cinema de Cartagena das Índias, na Colômbia, e em eventos como o Fórum de Museus Brasileiros da Imagem do Som, em São Paulo.
O centenário de Emilinha Borba, conhecida pelo título de "favorita permanente da Marinha", foi celebrado em grande estilo por meio da parceria entre o MIS RJ e a Marinha do Brasil. Com o uso de inteligência artificial, drones e câmeras 360º, foi feita uma releitura do clipe da emblemática canção “Aí vem a Marinha”, protagonizado pela Rainha do Rádio, em 1954. A filmagem aconteceu no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, o maior da Esquadra Brasileira, e contou com a participação das Bandas Marcial e Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais.
O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro encerra 2023 orgulhoso das centenas de playlists preparadas e disponibilizadas na Web Rádio MIS RJ, que chega a 55 países. As preciosidades do acervo selecionadas para o público podem ser ouvidas em vários cantos do mundo. A música brasileira alivia a tensão de quem sofre com as guerras, como a Ucrânia e Israel, passa ainda pelos Estados Unidos, Argentina, Japão, África e chega até o continente gelado! Na Antártica, a Web Rádio MIS RJ é apreciada especialmente pela equipe do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro ultrapassa todas as fronteiras, celebra cada conquista e faz história.
Publicado em 28/12/2023 por Fernanda Soares








