Dia Mundial do Compositor: MIS RJ salvaguarda a canção escrita por Garoto em momento de inspiração durante o voo

  • 15/01/2024

Dia Mundial do Compositor: MIS RJ salvaguarda a canção escrita por Garoto em momento de inspiração durante o voo

Há um item na Coleção Garoto, do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, que traduz bem a essência de um compositor nato. A inspiração que não tem dia, hora ou local para chegar. No caso de Aníbal Augusto Sardinha, o compositor e multi-instrumentista que ganhou fama com o apelido de Garoto, a inspiração veio numa viagem de avião. Sem recurso mais adequado para registrar sua criação, ele utilizou o saco de enjoo de voo. Assim, nasceu mais uma grande canção do jovem, que representa brilhantemente a categoria e recebe homenagens no Dia Mundial do Compositor.

A mensagem dizia: “Para caso de indisposição. Depois de usar este saco, queira fechá-lo e colocá-lo no chão”, mas Garoto deu uma utilidade muito mais nobre para aquele simples pedaço de papel. Era 14 de novembro de 1952, num voo para Belo Horizonte, quando mais uma preciosidade da música brasileira surgiu, e permanece salvaguardada no setor tridimensional do MIS RJ. Naquela época, o músico já havia ganhado prestígio, mas, o auge, assim como o fim da sua carreira, interrompida pela morte precoce, ainda estavam por vir.

Aos 11 anos, o pequeno prodígio já mostrava seu talento com os instrumentos de corda. Aos 13, tocava numa orquestra composta por 50 músicos selecionados e dirigidos por Américo Jacomino, o popular violonista Canhoto. Ganhou o apelido de Moleque do Banjo, instrumento com o qual se apresentava, e, posteriormente, Garoto. Ao longo da carreira, se destacou como violonista. Dominava banjo, cavaquinho, bandolim, violão tenor, guitarra elétrica, havaiana, portuguesa, além de também compor e fazer arranjos para estes instrumentos.

Fazem parte da Coleção Garoto, do MIS RJ, o violão tenor, o banjo e a palheta que foram usados pelo músico. A coleção soma cerca de 200 itens doados por Eduardo Taschetto Sardinha, neto do multi-instrumentista, e pelo pesquisador de música brasileira e autor da biografia "Gente Humilde: vida e música de Garoto", o professor, historiador e também compositor Jorge de Mello. Garoto ainda aparece em diversas outras coleções do museu, o que totaliza um vasto acervo, composto por mais de 800 itens relacionados ao violonista.

"A Coleção Garoto foi uma das primeiras adquiridas na atual gestão do MIS RJ. Lembro-me da alegria e do orgulho que senti com a chegada dos itens, tão significativos para a cultura nacional e internacional. Garoto fez sucesso nos Estados Unidos, em 1939, quando tocou com o Grupo Bando da Lua a convite de Carmen Miranda. Gravou ainda com artistas renomados, como Dorival Caymmi e Ary Barroso, entre tantos outros. Compôs a melodia de 'Gente humilde', que ganhou letra de Vinícius de Moraes e Chico Buarque. São muitos os motivos de nos sentirmos lisonjeados por salvaguardar este material tão rico", afirmou o presidente do Museu da Imagem e do Som, Cesar Miranda Ribeiro.

Garoto foi o primeiro violonista brasileiro a se apresentar como solista na Orquestra do Theatro Municipal, tocando a obra “Concertino Nº 2 para violão e orquestra”, de Radamés Gnattali, de quem virou um grande amigo. Sua obra foi considerada precursora das características que seriam desenvolvidas, posteriormente, na Bossa Nova.

E foi como compositor que ele se consagrou no mundo artístico. Em 1954, ganhou um concurso da Prefeitura de São Paulo com a música “São Paulo quatrocentão”, em parceria com Chiquinho do Acordeon, que celebrava o IV centenário da cidade. O disco atingiu a marca de 700 mil exemplares vendidos. Outras músicas de sucesso foram “Amoroso”, parceria com Luis Bittencourt, “Estranho amor”, com David Nasser, “Duas Contas”, além de “Gente humilde”, com Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Algumas das obras foram incluídas no LP Garoto, lançado em 1979 pelo selo MIS.

O museu também prestou homenagens ao "Moleque do Banjo" com a Exposição Aníbal Augusto Sardinha - Para sempre Garoto, em fevereiro de 2022. O trabalho chegou até o Festival de Cinema de Vassouras, em maio do mesmo ano.

A carreira do violonista e mestre dos instrumentos de corda foi interrompida de maneira abrupta e precoce, em 1955, quando ele tinha 39 anos. Garoto morreu vítima de um enfarto fulminante dentro do próprio apartamento, no Rio de Janeiro. Seu legado ficou para a história e para sempre será preservado. Os mais de 800 itens relacionados ao músico fazem parte dos quase 600 mil salvaguardados pelo Museu da Imagem e do Som, equipamento vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ). Todo o acervo está à disposição do público e dos pesquisadores. Para acessar o material basta enviar e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br e agendar uma visita ao Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin.

Publicado em 15/1/2024 por Fernanda Soares


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