MIS RJ inaugura exposição "Drops Cinematográficos" com a presença do produtor e diretor de cinema Cavi Borges
- 28/02/2024
Os profissionais, amantes e pesquisadores da "sétima arte" vão se encantar com a exposição "Drops Cinematográficos", inaugurada nesta quarta-feira (28/02) pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, com a presença do produtor e diretor de cinema Cavi Borges. Recepcionado pelo presidente do MIS, Cesar Miranda Ribeiro, Cavi foi o primeiro a visitar a mostra, que reúne itens de setores do museu, como o tridimensional, textual e iconográfico.
O diretor de cinema destacou a importância de expôr os itens, entre eles, equipamentos que eram usados nas produções entre as décadas de 1940 e 1980, como uma forma de incentivo para a nova geração de profissionais. Cavi conversou com a equipe do museu, deu sugestões para o desenvolvimento de projetos e parcerias, além de visitar as instalações da Coleção "Na Cabeça do Zé - Acervo José Wilker". Para o presidente do MIS, a exposição ganhou um brilho especial com a presença do diretor na inauguração.
“Cavi é um incentivador e parceiro do MIS, além de um grande conhecedor do setor audiovisual. A opinião dele sobre esse trabalho nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. O MIS entende o mundo como sendo um lugar de comunicação. Conhecer os processos pelos quais passamos é importante não apenas para a compreensão do atual cenário, mas também para a evolução. Tudo é continuidade e com a tecnologia que temos hoje é no mínimo curioso imaginar como as produções eram feitas de forma analógica”, afirma Cesar Miranda.
A mostra tem a curadoria da museóloga Eliane Vilela e se apresenta em duas versões: a presencial, no segundo piso da sede da Lapa, e a virtual, que pode ser acessada pelo link disponível no site da Web Rádio MIS RJ. A visita presencial poderá ser feita mediante o agendamento pelo e-mail saladepesquisa@mis.rj.gov.br ou conforme a disponibilidade. Na página on-line da exposição, o visitante terá todas as informações sobre o contexto histórico das fotografias, documentos e equipamentos, como os projetores de filmes, câmeras e lentes das décadas de 1940 a 1980.
Dentre os objetos do setor tridimensional que fazem parte da exposição "Drops Cinematográficos", estão o projetor de filme de 35 mm, da Rangertone Research Inc.; o "emendador" de filmes, da Griswold; o editor Viewer Dual-8 de filmes de 8 mm, da Goko; o projetor de slides de 35 mm, da Kodak; e câmeras de diversos formatos e tamanhos.
Os equipamentos, filmes e fotos são salvaguardados pelo museu, que integra a rede de equipamentos culturais do Governo do Estado e preserva o acervo audiovisual do século XX mais importante do Estado Fluminense. Desde a sua inauguração, em 1965, o MIS RJ se configura como um importante centro de referência para a pesquisa da indústria cultural brasileira.
Na exposição, os visitantes também podem contemplar imagens, como a fachada do antigo cinema Odeon, que ficava na Cinelândia, e cujo registro pertence à Coleção Augusto Malta. A mostra traz ainda fotografias que refletem o comportamento da época, como a que retrata um grupo exclusivamente formado por homens na entrada do Cinematógrafo Rio Branco, na Rua Gomes Freire, no Centro do Rio, com data de registro do começo do século XX.
As fotografias, preservadas no setor iconográfico, trazem ainda flagrantes do universo cinematográfico, como o cineasta Glauber Rocha em ação, além de José Wilker contracenando com Beth Farias, e cenas de filmes de Oscarito, Carmen Miranda e outros ícones da produção audiovisual brasileira. O cineasta Cavi Borges ressaltou o cuidado com detalhes e a riqueza do material exposto.
"É um resumo sobre filmagem e exibição. Esse tipo de iniciativa é um incentivo para atrair quem trabalha na produção de filmes e documentários. O acesso a estes equipamentos acaba sendo um estímulo ao setor audiovisual, porque o mais jovem pensam que se os caras faziam cinema mesmo diante de toda essa dificuldade, como hoje, com tanto apoio, tecnologia e facilidade a gente não faz? É olhar para trás e fazer melhor à frente. É uma honra estar aqui nesse momento histórico e ver esse material tão especial, que relembra toda a história do cinema analógico", afirmou Cavi Borges.
Após a visitação presencial na exposição "Drops Cinematográficos", Cavi Borges, o presidente Cesar Miranda e a jornalista do MIS Márcia Benazzi gravaram um podcast especial. O bate-papo circulou pela experiência do profissional, que tem mais de 300 produções, sendo algumas premiadas em festivais nacionais e internacionais, como o de Cannes, Berlim, Locarno e Rotterdam. O cineasta falou sobre a evolução do cinema, retratada na mostra inaugurada nesta quarta-feira, e sobre a importância do museu como instituição que preserva e, ao mesmo tempo, mantém viva a história da "sétima arte".
Sobre a ampliação do acervo audiovisual do MIS RJ
No começo de fevereiro, o MIS RJ recebeu formalmente livros, DVDs e CDs que pertenceram ao ator, diretor e crítico de cinema José Wilker. O acervo, que dará origem à Coleção "Na Cabeça do Zé - Acervo José Wilker", tem mais de 18 mil itens. Aproximadamente nove mil livros e 750 DVDs já foram catalogados.
O material se soma a outras preciosidades já preservadas pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro relacionadas também ao universo do cinema. A Coleção Jurandyr Noronha (escritor, roteirista e diretor de cinema), reúne especialmente obras e documentos sobre a atriz e diretora de cinema Carmen Santos. Já a Coleção Salvyano Cavalcante, do crítico de cinema, escritor e jornalista, é composta, em sua maioria, por documentos de divulgação, de produtoras, sinopses e catálogos de festivais.
As visitas presenciais ao segundo piso da sede do MIS na Lapa, onde está montada a exposição "Drops Cinematográficos", será feita por meio de agendamento. O processo é o mesmo do adotado para as pesquisas ao material salvaguardado pelo Museu da Imagem e do Som, equipamento vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), que está à disposição do público e dos pesquisadores. Basta enviar e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br.
Publicado em 28/2/2024 por Fernanda Soares


EXPOSIÇÃO
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Drops Cinematográficos
No final do século XIX surgiram diversas inovações e, dentre elas, o nascimento do cinema. Desde a primeira exibição em sala fechada, de cenas do cotidiano em Paris, pelos irmãos Lumière, a partir de imagens produzidas pelo cinematógrafo, máquina de captura de imagens em movimento patenteada por eles, um novo mundo de possibilidades se descortinava. Por associação, cinematógrafo também significa o espaço onde as imagens são projetadas. Os irmãos italianos Paschoal e Affonso Segretto foram figuras importantes na implantação dessa nova tecnologia no Brasil, pouco tempo depois de seu surgimento na Europa. Com a virada do século esses ambientes especiais para a projeção de películas foram surgindo. No Rio de Janeiro salas como o Cinematógrafo Rio Branco (1907) eram disputadas por uma plateia essencialmente masculina, apesar de serem agraciados por uma orquestra de senhoritas nos intervalos.
Mais adiante, o empresário espanhol Francisco Serrador materializa o seu sonho de criar um polo cultural no centro do Rio de Janeiro, com a inauguração dos cineteatros Capitólio, em 1925, seguido do Glória e Império ainda neste mesmo ano, e do Odeon, em 1926. Assim nascia a Cinelândia, trazendo os lançamentos da poderosa indústria cinematográfica americana.
Nos anos 30 do século passado foi criado o primeiro grande estúdio cinematográfico nacional, a Cinédia, que produziu os sucessos: “Limite”, de Mário Peixoto e “Ganga Zumba”, de Humberto Mauro. Outras companhias seguiram seu rastro, tais como a Atlândida, com as suas famosas chanchadas estreladas pela dupla Oscarito e Grande Otelo, e a Vera Cruz, com o ídolo Mazzaropi.
De início, se inspirando nos musicais e comédias hollywodianos, aos poucos, os diretores brasileiros foram buscando o seu caminho próprio, filmando estórias baseadas em nossa realidade social e política, como “Rio 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos, ou “Deus e o diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha, este, considerado por muitos, como o marco inicial do chamado “Cinema Novo”. Assim o caminho foi aberto para o surgimento de outros profissionais e seus filmes maravilhosos, como Cacá Diegues e Bruno Barreto, que exercendo sua criatividade e técnica, nos proporcionaram experiências inesquecíveis.
Através dessa mostra o MIS RJ homenageia os personagens desta história tão fascinante, que continua a ser contada, e instiga o visitante a querer conhecer mais sobre o tema. São imagens das primeiras salas de exibição, de grandes diretores que levaram o nome do cinema nacional para o resto do mundo, de filmes premiados e de equipamentos, que capturaram e projetaram os sonhos e dramas de nosso povo.
Eliane Vilela Antunes
Curadora MIS RJ
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Equipamento Cinematográfico
Projetor Super 8, marca Tacnon, modelo SOUND 707
Coleção MIS
Cinematic Equipment
Magnetic Sound Projector, Tacnon SOUND 707
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Filmadora Super 8, marca Chinon, modelo 722P XL
Coleção MIS
Cinematic Equipment
Chinon Super 8 Film Camera, model 722P XL
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico, década de 1980
Câmera de vídeo colorida, marca Hitachi, modelo VK-C500
Coleção MIS
Cinematic Equipment, 1980’s
Hitachi color video camera, model VK-C500
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico, década de 1960
Editor de filmes da marca japonesa GOKO, modelo G-2002 DUAL-8
Coleção MIS
Cinematic Equipment, 1960’s
GOKO editor viewer, model G-2002 DUAL-8
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico, década de 1970
Projetor para filmes 8 mm, da marca austríaca Eumig, modelo MARK610 D
Coleção MIS
Cinematic Equipment, 1970’s
Eumig film projector, model MARK610 D
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Projetor de slides, marca IEC, modelo LH - 150
Coleção MIS
Cinematic Equipment
IEC Slide projector, model LH - 150
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Projetor para filmes 8 mm, COPAL Sekonik, modelo CP 77
Coleção MIS
Cinematic Equipment
8 mm COPAL Sekonik movie projector, model CP 77
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Projetor de slides Ektagraphic, marca Kodak, modelo AF 2
Coleção MIS
Cinematic Equipment
Kodak Ektagraphic slide projector, model AF 2
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico, década de 1940
Projetor para filmes 16mm Kodascope, marca Kodak, modelo G série II
Coleção MIS
Cinematic Equipment, 1940’s
16 mm Kodascope movie projector, Eastman Kodak Co., model G series II
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Projetor para filmes 35mm XENON, marca Rangertone Research Inc., modelo GX-1000
Coleção MIS
Cinematic Equipment
35 mm movie projector XENON, Rangertone Research Inc., model GX-1000
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Kit com 3 Lentes para projetor, marca Nissin, modelo Sankor
Coleção MIS
Cinematic Equipment
Kit with 3 projector lenses, Nissin brand, Sankor model
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Emendador de filmes, Rangertone Research Incorporation
Coleção MIS
Cinematic Equipment
Rangertone Film Splicer, Rangertone Research Incorporation
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Emendador de filmes Griswold Jr. para 8 e 16 mm, Neumade Products Corp.
Cinematic Equipment
Cinematic Equipment
Griswold Film Splicer Jr., Neumade Products Corp., model 8 & 16 mm
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Aparelho de DVD, marca Philips, modelo DVD 627 K
Coleção MIS
Cinematic Equipment
Philips DVD video player, model DVD 627 K
MIS Collection
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Equipamento Cinematográfico
Aparelho de VHS, marca Sharp, modelo Middrive VC-1694 B
Coleção MIS
Cinematic Equipment
Sharp VHS video cassete recorder Middrive, model VC-1694 B
MIS Collection
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Documento Textual
Folder sobre o filme: "Ninguém segura essas mulheres", incluindo ficha técnica e breve resumo do filme.
Coleção Salvyano Paiva.
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Documento Textual
Folder sobre o filme "Ritmo alucinante", incluindo ficha técnica.
Coleção Salvyano Paiva.
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Documento Textual
Prospecto sobre o filme "Ladrão de Bagdá", incluindo sinopse e ficha técnica.
Coleção Salvyano Paiva.
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Documento Textual
Prospecto sobre o filme: "Confissões de uma viúva moça", incluindo ficha técnica e sinopse.
Coleção Salvyano Paiva.
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Cinematógrafo Rio Branco.
Foto Augusto Malta.
Coleção Augusto Malta.
Acervo MIS
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Fachada do Cine Odeon. Primeira metade do século XX.
Foto Augusto Malta.
Coleção Augusto Malta.
Acervo MIS
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Carmen e Aurora Miranda com Bando da Lua no filme Alô, alô Carnaval. Ano 1936.
Coleção Jurandyr Noronha.
Acervo MIS
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Pixote, A Lei do Mais Fraco, filme de Hector Babenco. Ano 1980.
Foto sem assinatura.
Coleção Jurandyr Noronha.
Acervo MIS
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Elizeth Cardoso em cena do filme O Rei do Samba. Ano 1952.
Coleção Jurandyr Noronha.
Acervo MIS
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Sônia Braga e Mauro Mendonça no filme Dona Flor e seus dois maridos, filme dirigido por Bruno Barreto.
Col. Nelson Motta.
Acervo MIS
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Jurandyr Noronha com câmera na produção do Panorama do Cinema Brasileiro. Foto sem assinatura.
Col. Jurandyr Noronha.
Acervo MIS
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Os atores José Wilker e Betty Faria durante cena do filme Bye Bye Brasil, dirigido por Cacá Diegues.
Coleção Nelson Motta.
Acervo MIS
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Glauber Rocha e Dib Lufti nas filmagens de Terra em transe. Ano 1967. Foto sem assinatura.
Coleção Jurandyr Noronha.
Acervo MIS
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Oscarito em cena do filme Pintando o Sete.
Coleção Jurandyr Noronha.
Acervo MIS
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Grande Otelo e Oscarito em cena do filme A Dupla do Barulho.
Coleção Salvyano Cavalcanti.
Acervo MIS
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Lourdes de Oliveira, Alexandre Constantino e Breno Mello em Orfeu do Carnaval, do diretor Marcel Camus, em 1959.
Col.SCP.
Acervo MIS



