MIS salvaguarda mais de 300 itens relacionados ao sambista, letrista e aniversariante Nei Lopes
- 09/05/2024
O cantor, compositor, escritor, letrista e ensaísta Nei Lopes celebra 82 anos nesta quinta-feira (09/05). A descrição de seus múltiplos talentos costuma englobar também o de poeta, mas o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro optou por respeitar a opinião do próprio sambista (ops, mais uma habilidade), que ao participar da série "Depoimentos para a Posteridade", em janeiro de 2012, afirmou: "Eu não tenho essa coisa de dizer que sou poeta. Eu não sou, não". Ele explica o motivo para tal afirmação.
"Eu nem me considero um poeta, que poeta é uma outra coisa. Poeta é... o poeta, a letra de música popular você tem que... tem que dizer alguma coisa, né? E a poesia você tem que não dizer. Você tem que se fazer entender na letra de música popular. E o poeta tem que fazer subentender. Eu acho que é mais ou menos por aí. Eu não tenho essa coisa de dizer que sou poeta. Eu não sou, não. Eu sou letrista e acho que sou bom", disse Nei Lopes ao eternizar sua vida e obra dando seu testemunho ao MIS RJ.
No universo da música e do samba, Nei Lopes é autor de sucessos, como “Figa de Guiné” (com Reginaldo Bessa), “Goiabada Cascão”, “Samba bo Irajá”, “Gostoso veneno”, “No tempo do Dondon” e “Nosso nome: Resistência” (com Sereno e Zé Luiz do Império), que deu título a um disco de Alcione, entre muitos outros. Para comemorar a data, o MIS fez uma seleção de músicas salvaguardadas no setor sonoro. A playlist vai ao ar na Web Rádio MIS RJ nesta quinta-feira (09/05) às 9h, 15h e 21h.
Na literatura, é autor de títulos preservados na Biblioteca Almirante, do MIS RJ, como “Guimbaustrilho e outros mistérios suburbanos” (2001, Editora Dantes), “Partido-Alto: Samba de bamba” (2005, Editora Pallas), “20 contos e uns trocados” (2006, Editora Pallas) e “Zé Kéti: o samba sem senhor” (2000, Ed. Relume do Dumará). A cultura negra está entre os seus temas preferidos.
A biblioteca ainda salvaguarda outros títulos relacionados ao letrista, como “Rainha Quelé: Clementina de Jesus”, livro organizado por Heron Coelho, que conta com textos de Nei Lopes, Lena Frias, Hermínio Bello de Carvalho e Paulo Cesar de Andrade (2001, Editora Valença) e “Samba do Irajá e de outros subúrbios: um estudo da obra de Nei Lopes”, de Cosme Elias (2005, Editora Pallas).
Ao todo, o acervo do museu salvaguarda mais de 300 itens relacionados ao baluarte do samba. Salgueirense de coração, Nei Lopes cita, durante o “depoimento para a posteridade”, que os momentos mais emocionantes de sua vida foram vividos durante participações em desfiles de escola de samba. Dez anos depois de deixar seu testemunho oral gravado no MIS, o sambista foi homenageado no Carnaval carioca pelo Salgueiro e pela Beija-Flor.
Todo o acervo do MIS, que integra a rede de equipamentos culturais do Governo do Estado e está vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), está à disposição do público e dos pesquisadores. Para acessar o material basta enviar e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br e agendar uma visita ao Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin.
Publicado em 09/5/2024 por Fernanda Soares




