MIS RJ preserva mais de 60 mil itens em coleção doada pelo jornalista Sérgio Cabral, que completa 87 anos

  • 27/05/2024

MIS RJ preserva mais de 60 mil itens em coleção doada pelo jornalista Sérgio Cabral, que completa 87 anos

Nesta segunda-feira (27/05), o jornalista, escritor, produtor e pesquisador musical Sérgio Cabral completa 87 anos. Uma história de vida que se mistura à história da cultura fluminense e do próprio Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Em 2007, o jornalista fez a primeira doação de itens pessoais ao MIS, dando origem à Coleção Sérgio Cabral, que está entre as cinco maiores preservadas pelo museu.

Com aproximadamente 61 mil itens, vale destacar o acervo iconográfico, formado por mais de quatro mil fotografias, verdadeiros registros da trajetória da música brasileira no século XX. A data da doação é 29 de maio de 2007. A chegada do acervo ao MIS foi festejada com homenagens e cerimônia realizada na Sala Cecília Meirelles. Em 2015 e 2017, Sérgio Cabral entregou mais itens ao museu, complementando a coleção.

O material é tão rico, que passa por temas, como história, política, literatura, poesia, capoeira e, especialmente, música. Choro, jazz, instrumentos musicais, dicionários de música, escolas de samba, o samba e o partido-alto, carnaval, compositores e intérpretes são alguns dos assuntos salvaguardados.

Toda essa diversidade foi registrada em imagens. São muitas fotos de família, com o filho Sérgio Cabral Filho, ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, e a esposa à época, a museóloga Magali Cabral. Sérgio Cabral também fez parte da política, como vereador, nas décadas de 1980 e 1990. Mas o acervo relacionado ao meio artístico é o que chama mais atenção.

O produtor e pesquisador musical aparece acompanhado de personalidades do cenário carioca em diversos eventos e ocasiões: com Beth Carvalho durante desfile da escola de samba Estação Primeira de Mangueira na Sapucaí; com Nelson Cavaquinho, Cartola e Zé Kéti durante apresentação musical; com Clara Nunes, Abel Ferreira e Canhoto; com Ivan Lins e Lucinha Lins; com Bibi Ferreira, Clementina de Jesus, Alcione, Dorival Caymmi e Martinho da Vila, entre tantos outros de áreas diversas, como João Ubaldo Ribeiro; Millôr Fernandes e Jaguar, além de Albino Pinheiro e Ziraldo.

As fotografias da Coleção Sérgio Cabral refletem também seus trabalhos como escritor. Autor de diversas biografias, como “Nara Leão – uma biografia” (2008), “Pixinguinha – vida e obra” (2007), “No tempo do Almirante: uma história do rádio e da MPB” (2005) e “Grande Otelo – uma biografia” (2007), o jornalista colecionava imagens de seus personagens inspiradores.

Dentre as relíquias doadas pelo escritor e amante da música brasileira, estão duas obras raríssimas: a Coleção Revista da Música Popular, organizada por Lúcio Rangel, e

“O choro: reminiscências dos choros antigos”, de Alexandre Gonçalves Pinto. A segunda foi um dos itens consultados por pesquisadores e que serviu como base para o processo que culminou no reconhecimento do choro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, em fevereiro deste ano.

Os livros escritos por Sérgio Cabral também estão salvaguardados pelo MIS RJ, porém, não na coleção própria do autor. Eles fazem parte das Coleções José Wilker, Braguinha e Almirante. Por sua importância e representatividade no cenário cultural fluminense, Sérgio Cabral aparece em diversas outras coleções do museu, mais especificamente, em aproximadamente 61 mil itens do acervo. O volume da Coleção Sérgio Cabral, que também gira em torno de 61 mil itens e está entre os cinco maiores do MIS, fica atrás apenas das Coleções Almirante, Rádio Nacional, Augusto Malta e Guilherme Santos.

E o museu tem também registros de mais um dos talentos do jornalista, escritor, produtor e pesquisador: as composições musicais. Ele aparece como autor em mais de 80 canções encontradas nas coleções Hermínio Bello de Carvalho, Discoteca Pública do Distrito Federal, MIS, Sérgio Cabral, Waldyr Azevedo e Zezé Gonzaga. Dois exemplos são: “Instituto”, dele e Wilson Moreira, gravada por Beth Carvalho no disco “Traço de União”, de 1982, e “Meninos da Mangueira”, parceria de Sérgio Cabral com Rildo Hora, gravada por Sandra de Sá no disco “No tom da Mangueira - Vol. 2”, de 1991.

Depoimentos para a posteridade

Em junho de 1997, Sérgio Cabral deixou seu testemunho eternizado no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro ao participar da série “Depoimentos para a posteridade”. No projeto, o depoente passa por uma longa entrevista onde fala da infância, da família, da carreira e dos episódios marcantes de sua história. O relato em primeira pessoa conta ainda com a participação dos entrevistadores, convidados ou indicados pelo depoente, entre amigos, familiares e personalidades.

O primeiro depoimento do jornalista teve Fernando Pamplona, José Carlos Rego, Albino Pinheiro, Ilmar Carvalho e Ulisses Esteves como entrevistadores. Mas, Sérgio Cabral voltou ao MIS, em agosto do mesmo ano, para complementar seu testemunho. Nesta ocasião, os entrevistadores foram Fernando Pamplona, Henrique Cazes, Jorge Roberto Martins, Ziraldo Alves Pinto, Eunice Esteves e Albino Pinheiro.

O escritor e pesquisador da música brasileira não se ateve apenas a dar o seu depoimento. Ele também foi escolhido como entrevistador por 52 depoentes. Alguns exemplos são Marlene, Pixinguinha, Mário Lago, Carlos Lyra, Nara Leão, Roberto Menescal, Jamelão (José Bispo Clementino dos Santos), Guerra Peixe, Hermínio Bello de Carvalho, Peri Ribeiro, Luiz Antônio Villas-Boas Corrêa, Alcione, Henfil (Henrique de Souza Filho) e Jacob do Bandolim, além de estar presente na série “Depoimentos para a posteridade” que contou com um depoimento coletivo sobre Almirante, e Memória do jornal “O Pasquim”, do qual foi um dos fundadores.

Todo o acervo do MIS, que integra a rede de equipamentos culturais do Governo do Estado e está vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), está à disposição do público e dos pesquisadores. Para acessar o material basta enviar e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br e agendar uma visita ao Centro de Pesquisa e Documentação Ricardo Cravo Albin.

Publicado em 27/05/2024 por Fernanda Soares


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