MIS RJ encerrou a “Mostra José Wilker” com o filme “O homem da capa preta”
- 08/08/2024
O MIS RJ encerrou no sábado(3/8), a “Mostra José Wilker” com o filme “O homem da capa preta”, em mais uma tarde de encantamento para o público presente na Casa de Cultura de Paraty. Dirigido por Sérgio Rezende, o drama biográfico de 1986, mergulha na trajetória de Natalino Tenório Cavalcanti, político emblemático da Baixada Fluminense que marcou a história de Duque de Caxias entre as décadas de 1930 a 1960.
Após a sessão, Mariana Vielmond, filha do ator, e o presidente do MIS RJ, Cesar Miranda Ribeiro, conversaram sobre o filme, com mediação da jornalista do museu, Márcia Benazzi, que abriu o debate lembrando das próprias palavras de José Wilker em seu Depoimento para a Posteridade, em junho de 2011 - “ Eu fui convidado pra fazer “O homem da capa preta", que o Sérgio dirigiu, do Tenório Cavalcanti, e eu um dia fui apresentado ao Tenório Cavalcanti, ele adentrou à sala de uma das filhas no Leblon, vestido de preto, com a capa preta e vermelha, o chapéu e armado com aquela coisa, a "Lurdinha" que ele tinha, falando comigo assim - "Meu filho, porque ele tinha tomado um tiro e o dedo não dobrava assim, ele queria fazer isso mas fazia isso assim, risos. Cara, esse sujeito é o Mick Jagger. Eu não sei fazer isso não. E eu fiquei em pânico com relação a personagem, e eu comecei a filmar com a mais absoluta certeza de que eu não sabia o que fazer daquela personagem. Eu só descobri mais ou menos que caminho seguir acho que no terceiro dia de filmagem".
O presidente Cesar falou que, para além dos três filmes apresentados no festival, todo esse legado do ator doado para o MIS RJ, a Coleção “Na Cabeça do Zé, acervo José Wilker”, com milhares de livros, CDs e DVDs, abrem novas frentes de divulgação da sua obra, como por exemplo, a parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), levando até os jovens universitários rodas de leitura que discutam temas escolhidos, com curadoria da própria Mariana Vielmond, para um debate com as novas gerações sobre a importância de José Wilker para a Cultura Nacional.
Para quem viu pela primeira vez ou quem reviu “O homem da capa preta”, no telão do Festival Internacional de Cinema de Paraty, José Wilker não só interpretou Tenório Cavalcanti mas entregou magistralmente a intensidade e os contrastes complexos do personagem em quase duas horas de projeção. Mariana Vielmond revelou que a sua relação com os filmes do seu pai tem uma carga emocional muito forte porque o sofrimento dos personagens a atingem profundamente. Contou também a relação de amizade e admiração entre José Wilker e a produtora Mariza Leão e o diretor Sérgio Rezende, não só neste trabalho mas em muitos outros que realizaram juntos. A plateia acompanhou atentamente as suas colocações, e a cada detalhe dessa intimidade revelada, aumentava a admiração pelo ser humano José Wilker, pela sua imensa generosidade – “de uma pessoa que quer fazer, que quer que o Cinema Brasileiro aconteça”, afirmou Mariana.
A proposta do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro para a “Mostra José Wilker”, atingiu o seu objetivo principal, levar para outras plateias a grandiosa cinematografia do ator, em épocas diferentes de sua carreira, revelando todo o seu potencial artístico em papéis cômicos e dramáticos. E mais, após as sessões, promover conversas com convidados especiais e revelar novas camadas sobre o seu legado para o Cinema Brasileiro, destacando o olhar diferenciado de sua filha, Mariana Vielmond, que trouxe cartas pessoais, crônicas, e muitas histórias para serem compartilhadas com os paratienses e o público do primeiro Festival Internacional de Cinema de Paraty.
Publicado em 8/8/2024 por Márcia Benazzi





