MIS RJ eterniza memória de José Wilker, que completaria 77 anos

  • 20/08/2024

MIS RJ eterniza memória de José Wilker, que completaria 77 anos

Tenório Cavalcanti, Lorde Cigano e Roque Santeiro são algumas personagens, que apesar de muito diferentes, ganharam vida através de uma mesma cabeça: José Wilker, que sempre buscava se reinventar para achar a essência de seus papéis. Há 10 anos o audiovisual brasileiro perdeu o ator, que completaria 77 anos nesta terça-feira (20/08), no entanto, o legado de Wilker é revisitado todos os dias no acervo e em constantes produções do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

Wilker é uma das cabeças de coleção do MIS RJ, recém adquirida em fevereiro de 2024. “Na Cabeça do Zé - Acervo José Wilker” veio enriquecer o setor biblioteca com cerca de 9100 itens e o cinema com um total estimado de 4500 filmes, com aproximadamente 1250 DVDs* já disponíveis no banco de dados online do MIS RJ. A coleção também apresenta inúmeros CDs que tocarão às 9h, 15h e 21h em uma Playlist especial em homenagem ao dia do ator.

No entanto, a “cabeça do Zé” não se limita às prateleiras do acervo. No início de agosto, o MIS RJ levou até o Festival Internacional de Cinema de Paraty a “Mostra José Wilker” que apresentou ao público do evento os filmes “Os Inconfidentes”, “Bye Bye Brasil” e “O Homem da Capa Preta”. Outro elemento ímpar para contar os feitos do ator no festival, foi a presença de sua filha Mariana Vielmond, que esteve nas rodas de conversas ao fim das exibições, onde foram lembrados os tempos de Zé nas telas. A roteirista ainda participou da série especial itinerante do “Depoimento para a Posteridade”, ao lado do cineasta Cavi Borges, onde relataram o legado de José Wilker para o cinema brasileiro.

A série “Depoimentos para a Posteridade” do MIS RJ veio como nostalgia para Mariana Vielmond, que em 2011 estava na sede da Praça XV do MIS RJ vendo seu pai como depoente. Em seu relato, Wilker contou inúmeras curiosidades de suas produções, como que em “Os Inconfidentes”, o elenco estava bêbado quase que a todo tempo para poder aguentar o frio que fazia em Ouro Preto.

O lado artístico de Wilker já despontava desde novo. Os livros o atraíam desde antes de começar a ler, e logo que aprendeu, conseguia lembrar de cor poemas que lia na biblioteca de seu tio. O teatro foi puro acaso, já que decorava e apresentava textos em latim na escola. Ele conta ainda que apesar da facilidade e aparente aptidão de estar em cena, ser ator exigia muito esforço dele por ser uma pessoa tímida.

Ao final do depoimento Wilker deixa a dúvida como uma mensagem para a posteridade: “duvidem sempre, duvidem”. O ator contempla o ato de questionar como uma parte essencial para caracterização de suas personagens. “Hoje quero ter uma conversa com o Cacá - ask for help. Claro, isso me acontece sempre, acontece em qualquer trabalho que faço, no entanto, e em outros tempos, superava isso com um certo ar auto suficiente. Uma distância adequada ao meu temor. No caso presente, acrescentando que não sei se quero ser ator, desisti.”, relatou José Wilker em uma carta enviada para sua então esposa Renée de Vielmond, durante as gravações do filme “Bye Bye Brasil”.

Apesar das dúvidas que o cercava, era quase certo que Wilker se encontrava em seus papéis, e quando foi relembrar a época das filmagens, já em 2011, apenas as boas lembranças da nostalgia restaram: “Eu nunca me diverti tanto num filme como nesse. Eu não sei como é que era na cabeça do Cacá, o filme sendo feito, que tipo de tensão havia no Cacá fazendo o filme, mas eu sei que pra mim era uma grande brincadeira! Quando dizia ação, podia ensaiar, mas no ação era uma grande brincadeira!”, contou Wilker na ocasião.

Todo o rico material de José Wilker presente no acervo do MIS RJ, que integra a rede de equipamentos culturais do Governo do Estado e está vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro(Secec-RJ), está à disposição do público e dos pesquisadores. Para acessar o material basta enviar e-mail para saladepesquisa@mis.rj.gov.br e agendar uma visita ao Centro de Pesquisa, Memória e Documentação Ricardo Cravo Albin.

*Os itens da coleção “Na Cabeça do Zé - Acervo José Wilker” ainda estão em processo de arrolamento.

Publicado em 20/8/2024 por Mariana Cigolo 


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