Exposição “JANETE CLAIR 100 ANOS – A USINEIRA DOS SONHOS”, é inaugurada no MIS RJ com a participação dos filhos, amigos e fãs!
- 26/04/2025
A inauguração da exposição “Janete Clair 100 anos – a usineira dos sonhos”, ontem, 25 de abril de 2025, celebrou o centenário da maior autora brasileira de novelas, com a presença dos filhos, netos, bisnetos, amigos e fãs, na sede Lapa do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro! Uma tarde de reencontros, emoção, abraços, um clima carinhoso e, principalmente, de muita reverência a Janete Clair.
“Todos do MIS RJ se sentem conectados afetivamente com a exposição porque, de alguma forma, acompanharam o primoroso trabalho dessa mestra da teledramaturgia, e os mais jovens estão tendo a oportunidade desse contato com a sua trajetória de sucesso. É um orgulho imenso ver a sinopse original de “Selva de Pedra”, os muitos troféus que recebeu ao longo da carreira brilhante, as fotos em família, as matérias publicadas exaltando Janete Clair, considerada a “nossa senhora das oito”, uma referência ao horário em que era campeã de audiência. E claro, ouvir a própria Janete contando a sua história no Depoimento para a Posteridade, prestado ao MIS RJ em 27 de junho de 1978”, afirmou o presidente do museu, Cesar Miranda Ribeiro.
Foi muito emocionante ver os filhos de Janete Clair reunidos no Museu da Imagem e do Som para celebrar o centenário da mãe, avó e bisavó Janete Clair. Alfredo Dias Gomes, curador e idealizador do projeto, disse para a Rádio MIS RJ, bastante emocionado - "Homenagear a minha mãe é uma maneira de manter viva a memória dela em mim e uma maneira de retribuir todo o amor que ela me deu". Leila Sarmento, também curadora da mostra, afirmou - "Essa exposição eu estou fazendo mais como fã da Janete Clair do que como nora. Porque, eu como o Brasil inteiro, somos fãs. Então, para mim é uma honra poder mexer nesse material, pegar os capítulos originais que ela fez décadas atrás, está sendo mágico participar disso tudo. E ao lado do Alfredo que é o meu amor ". O primogênito de Janete, Guilherme Dias Gomes, disse - "Hoje, celebramos não apenas seu legado nas telas, mas também sua vida repleta de amor, dedicação e talento. Parabéns, mãe, pelos seus 100 anos de vida e história". Para a filha Denise Emmer - "A exposição é uma lembrança que teria que ser feita. A gente teria que organizar e foi organizada pelo meu irmão Alfredo, e está lindíssima, maravilhosa, com toda a trajetória dela , desde o início em fotos dela bem jovem, da família, documentos, a máquina de escrever. Quem quiser conhecer um pouco sobre Janete Clair, não só da obra mas da vida, venha aqui no MIS para presenciar essa exposição lindíssima". A neta Renata Dias Gomes, filha de Alfredo, também assina a curadoria - " Isso aqui é a realização de um sonho porque eu tenho 41 anos e eu nasci 2 meses antes da minha avó falecer. Eu conheci a minha avó através das histórias que eu ouvia sobre ela, através dos amigos, das pessoas. Eu cresci escutando o meu pai falar que a minha avó foi a pessoa mais famosa do Brasil, mas eu vi isso sendo apagado da minha geração. A novela é um produto muito perecível e depois de um tempo as pessoas já não lembram mais quem é. Então, poder colocar a minha avó dentro de um museu é a realização de um sonho mesmo".
A chegada de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), foi acompanhada pelos servidores do museu e pelo presidente, Cesar. Boni foi o responsável pela entrada de Janete Clair na TV Globo, em 1967. Ciceroneado por Alfredo Dias Gomes, viu com muito interesse os detalhes da exposição. Fez questão de gravar uma chamada para o seu instagram, convidando o público a prestigiar a exposição no MIS RJ - "Eu estou aqui no Museu da Imagem e do Som na exposição que comemora os 100 anos de Janete Clair. A Janete Clair é uma pessoa especial pra mim e eu devo a ela muita coisa e a Globo também deve muito, uma das principais figuras na construção da TV Globo. E além de tudo, generosa. Criou autores fantásticos como Gilberto Braga e Glória Perez. Venham aqui ver, é indispensável ver e escutar toda a história que o Alfredo Dias Gomes preparou. Você vai se defrontar com todas as novelas, e com todo o carinho que a Janete Clair continua produzindo em nossos corações".
Um dos painéis da exposição tem texto assinado pelo Doutor em Teledramaturgia (Ciências da Comunicação) USP, Mauro Alencar, que veio de São Paulo para a inauguração e estava muito emocionado - "Janete é absoluta. Eu me recordo da homenagem que ela recebeu no Congresso Mundial da Indústria da Telenovela e Ficção, na Espanha. Porque ela influenciou diversos autores de novelas no mundo. Então, essa homenagem foi em função da importância dela como uma das maiores autoras de teleficção de telenovela, não só no Brasil mas no mundo, isso que eu chamo a atenção, que eu acho importantíssimo e que fique registrado. Ela renovou o folhetim, ela renovou o melodrama e mais do que isso, ela fez um mapeamento do Brasil, do comportamento do brasileiro em diversas cidades. Janete tinha uma preocupação em ambientar as novelas em cidades diferentes, e isso era muito fascinante para nós como espectadores".
Destaco uma frase que compõe a mostra, assinado por Janete Clair, e que expressa a confiança no outro e nela mesma, como elemento de transformação pessoal – “Eu gostaria que o ser humano acreditasse que existe dentro dele uma força capaz de mudar sua vida. É bom confiar em si mesmo e esperar um novo amanhecer”. Ela era uma mulher romântica, forte, batalhadora, uma profissional que dominava a escrita como ninguém, que acreditava naquilo que escrevia, que se emocionava com os personagens que criava, e que inspirou o poeta Carlos Drummond de Andrade a publicar no Jornal do Brasil uma crônica em sua homenagem, após a exibição do último capítulo da novela “O astro”, e parar literalmente o Brasil – “Agora que O astro acabou, vamos cuidar da vida, que o Brasil está lá fora esperando”.
As novas gerações estão ligadas aos smartphones de uma maneira visceral. Mas como era na época de Janete Clair quando esses dispositivos móveis ainda não existiam? De 1967 a 1973, a autora escreveu sozinha 7 novelas consecutivas, contabilizando mais de 1.500 capítulos, e tudo batido em uma máquina de escrever. Ao visitar a exposição, o público poderá escrever uma mensagem em uma máquina semelhante à da época de Janete, possibilitando um mergulho no universo artístico da escritora, e quem sabe, inspirando novos contadores de histórias!
A exposição “Janete Clair 100 anos – a usineira dos sonhos”, será aberta ao público na segunda-feira(28/4), e ficará em cartaz até 28 de dezembro de 2025, no mezanino do MIS RJ, sede Lapa, Rua Visconde de Maranguape, 15, de segunda a sexta, das 9h às 18h, com entrada gratuita. Venha participar dessa homenagem especial e celebrar o centenário de uma autora que mudou a história da dramaturgia e da televisão, que emocionou milhões de pessoas, e merece todos os aplausos dos brasileiros! O MIS RJ espera por você!
Publicado em 26/04/2025 por Márcia Benazzi














