Lygia Santos, uma vida dedicada à preservação do samba e da cultura popular

  • 02/06/2025

Lygia Santos, uma vida dedicada à preservação do samba e da cultura popular

A Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro lamenta profundamente a morte da escritora, museóloga e pesquisadora Lygia Santos, ocorrida neste domingo, (1/6), aos 91 anos. Filha do compositor Donga, autor do clássico “Pelo Telefone”, e da cantora Zaira de Oliveira, Lygia dedicou sua vida à valorização da cultura popular brasileira, em especial à história do samba. Nascida em 1934 no bairro do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi uma das mais respeitadas intelectuais negras do país.

“Lygia Santos é uma dessas figuras raras que combinam paixão, conhecimento e um compromisso inabalável com a cultura brasileira. Sua trajetória é inseparável da história do samba e da memória cultural do país. Para a FMIS RJ, que teve a honra de contar com sua colaboração e preservar parte do seu legado, é um momento de profunda tristeza e gratidão.” declarou o presidente do museu, Cesar Miranda Ribeiro.

O vínculo de Lygia com a FMIS RJ se revela não apenas pela memória afetiva que carrega como filha de Donga, um dos maiores nomes do acervo do museu, mas também por meio de documentos preservados na instituição, como o convite da cerimônia em que recebeu a Medalha Pedro Ernesto, bilhetes e correspondências com personalidades da música, como Elizeth Cardoso, além de materiais audiovisuais, sonoros e iconográficos. Lygia também participou da própria administração da FMIS RJ, durante a gestão de Nilcemar Nogueira. A presença de Lygia na história do museu é testemunho da importância que ela teve para a cultura brasileira.

Advogada de formação, Lygia foi professora, comentarista de carnaval, autora do livro, “Paulo da Portela — Traço de União entre duas Culturas”, publicado em 1980, em parceria com Marília Barbosa. Foi coordenadora de importantes projetos musicais, dentre eles, o “Concertos de Choro”, que revelou talentos como Raphael Rabelo, Luciana Rabelo, Nilze Carvalho e o grupo Galo Preto. Foi também uma das fundadoras do Renascença Clube, ao lado de sua família, ainda nos anos 1950, espaço que se tornou símbolo de resistência e afirmação da cultura negra.

A pesquisadora atuou em diversas instituições públicas, como a FUNARJ, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura do Rio de Janeiro, e o Instituto do Carnaval da Universidade Estácio de Sá. Pioneira na criação de programas voltados à população idosa, foi presidente de honra do Clube da Maior Idade.

Ao longo da vida, Lygia Santos deixou um legado inestimável na documentação, pesquisa e preservação das raízes culturais brasileiras, especialmente do samba. Sua partida representa uma enorme perda para a memória e identidade do país.

Publicado em 02/06/2025 por Marcelo Egypto


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