OS TINCOÃS EXPOSIÇÃO VIRTUAL O SOM DA IMAGEM

  • 30/08/2021

OS TINCOÃS EXPOSIÇÃO VIRTUAL O SOM DA IMAGEM

As capas de disco não são meros recipientes. Nelas, encontramos diversos caminhos para a compreensão artística que vai além da música ou do registro sonoro encontrado em um lançamento fonográfico. Artes gráficas, pinturas, montagem ou fotos podem ampliar a compreensão de uma época estampada nos lançamentos musicais. São recursos que buscam sintetizar valores, demarcar estilos e comunicar com o público sentidos que vão além da escuta.

“O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro apresenta na Semana de Comemorações dos seus 56 anos de fundação, a exposição virtual O Som da Imagem, revelando para a sociedade alguns artistas, músicos e fotógrafos que estão nas nossas coleções e que merecem destaque”, afirmou o presidente do MIS, Cesar Miranda Ribeiro.

A partir do diálogo entre a imagem e o som, buscaremos contar algumas das histórias de nossa música popular brasileira e como elas podem nos comunicar memórias sobre determinados momentos da vida de seus artistas.

Para darmos início aos trabalhos que correlacionam Imagem e Som, preservados pelo MIS, vamos até a Bahia, através da música ancestral do grupo Os Tincoãs. 

“Atabaque chora, chora também o amor em mim. 

Atabaque chora, chora também o amor em mim” (Trecho da letra de “Atabaque chora”).

O trio vocal produziu durante anos trabalhos importantíssimos de valorização da cultura e da religiosidade de matriz africana, por meio de lindas canções com ricos elementos ancestrais e de louvação aos orixás. No início da sua trajetória, nos anos 60, sua primeira formação se deu com os músicos Dadinho, Heraldo e Erivaldo. Em 1963 Mateus Aleluia entra no lugar de Erivaldo e, desde então, o grupo passa a ficar mais marcado pelo toque do atabaque de Aleluia e com uma produção mais pautada na religiosidade e na valorização da musicalidade de origem africana.

“Os Tincoãs”, lançamento escolhido para dar início a nossa exposição, chegou ao público no ano de 1977, com imagens dos grandes Ivan Klingen e Fábio Alvarenga.

Vale destacar que Ivan Klingen é o fotógrafo responsável por inúmeras capas de discos de grandes nomes da nossa música, como veremos em outros itens da exposição.

O disco pode ser encontrado em nossa coleção Hermínio Bello de Carvalho e traz a singularidade de ter sido autografado pelo trio Mateus, Dadinho e Badu, com dedicatória a Hermínio. “Atabaque chora” é a faixa de abertura deste disco que conta também com a gravação de “Cordeiro de Nanã”, faixa que chegou a ter seu refrão gravado por João Gilberto no ano de 1981.

Para os que ainda não conhecem o riquíssimo trabalho musical do trio vocal aqui está uma ótima oportunidade para mergulhar em nossa ancestralidade através dos lindos cantos de Os Tincoãs.

Publicado em 30/08/21 por Daiane Lopes e Pedro Dias


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