Começa a contagem regressiva para os 60 anos da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro
- 01/08/2025

No dia 3 de setembro de 2025, a Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro completa 60 anos. Criada como parte das comemorações do IV Centenário da cidade, em 1965, a instituição nasceu como um presente do então governador Carlos Lacerda para um Rio de Janeiro que já era sinônimo de efervescência cultural. Seis décadas depois, a F.MIS é muito mais do que o primeiro museu do gênero no Brasil, é uma referência nacional e internacional na preservação da memória audiovisual e no fortalecimento da identidade cultural brasileira.
“É uma honra presidir esta instituição num momento tão simbólico como este. A F.MIS é um dos patrimônios mais preciosos do nosso estado e do nosso país. Nestes 60 anos, ela construiu uma trajetória de protagonismo, inovação e afeto com o público. Fazer parte dessa história é motivo de imenso orgulho”, afirma o presidente Cesar Miranda Ribeiro, que conduz uma das fases mais produtivas da história recente da Fundação.
Desde sua fundação, a F.MIS se destacou como pioneira. Foi a primeira instituição brasileira dedicada à cultura audiovisual, abrindo caminho para modelos similares em outras cidades. Seu acervo, formado por peças como os postais do Rio Antigo, as fotografias de Augusto Malta, o estereoscópio de Guilherme Santos, a Discoteca de Lúcio Rangel e os arquivos do Almirante, rapidamente se tornou um tesouro da cultura nacional. O tratamento dado ao acervo da F.MIS é museológico, com a organização em sete setores, separados por tipologias: sonoro, textual, audiovisual, iconográfico, partitura, tridimensional e bibliográfico.
Com quase 1 milhão de itens, o acervo reúne documentos nos mais variados suportes, fotografias em papel, negativos em vidro, negativos estereoscópicos, cartazes, gravuras, discos, filmes, fitas de vídeo e de áudio, documentos textuais, partituras e objetos tridimensionais como instrumentos musicais, indumentárias, medalhas e troféus. Parte significativa desse conjunto é formada por 44 coleções documentais doadas ou adquiridas junto a grandes personalidades da cultura brasileira, com ênfase especial na música popular. Em 1967, a F.MIS inovou mais uma vez ao se tornar o primeiro museu a gravar um plenário de júri no Brasil. O registro histórico foi realizado durante o julgamento do caso que ficou conhecido como o assassinato do estudante Odilo Costa Neto, ocorrido em 1963. Mais uma prova de sua vocação para documentar a história sob diversas formas.
Mas talvez nenhum projeto tenha simbolizado tão bem essa missão como os Depoimentos para a Posteridade, criados em 1966 por Ricardo Cravo Albin. A série nasceu com o objetivo de registrar as trajetórias de grandes nomes da cultura brasileira a partir de entrevistas cuidadosamente elaboradas e documentadas. João da Baiana foi o primeiro entrevistado, seguido por gigantes como Donga, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres. Inicialmente gravada em áudio, a série passou a incluir vídeos a partir de 1995, adotando uma metodologia próxima à história oral, com profunda pesquisa biográfica e aprovação final do depoente. O projeto chegou até a registrar depoimentos durante a pandemia, no formato remoto, e alcançou um feito inédito ao realizar, em 2022, uma gravação diretamente da Antártica, celebrando os 40 anos do PROANTAR. Hoje, o acervo reúne mais de 1.100 depoimentos e é fonte permanente de consulta para pesquisadores, artistas e jornalistas de todo o país.
Outro capítulo de protagonismo da F.MIS está na sua participação ativa na luta pelo reconhecimento do samba e do choro como patrimônios culturais imateriais do Brasil. Apoiando campanhas, fornecendo acervo e fortalecendo argumentos técnicos, o museu foi parte fundamental do processo que levou o samba a ser reconhecido pelo IPHAN em 2007 e, mais recentemente, do título concedido ao choro em 2024. A atuação da F.MIS reafirma seu papel como agente de salvaguarda dos bens imateriais e da cultura popular.
Na gestão atual, iniciada em 2021, a F.MIS tem vivido um período de grandes avanços e realizações. Sob o comando de Cesar Miranda Ribeiro, a Fundação ampliou suas ações com impacto estadual, nacional e até internacional. Uma das maiores conquistas foi a criação do edital EXPO MIS, que destinou meio milhão de reais para impulsionar a circulação de exposições em diversas cidades do estado, levando o acervo do museu para perto de novos públicos. Também foram inauguradas as exposições “Chatô e os Diários Associados – 100 Anos de Paixão” e “Janete Clair 100 Anos – A Usineira de Sonhos”, que celebram grandes nomes da comunicação brasileira, além da Fototeca Estadual do Rio de Janeiro, mais um marco na preservação da imagem fotográfica.
Outras iniciativas deram ainda mais visibilidade à instituição. A Rádio MIS RJ, idealizada pelo presidente, se tornou a primeira web rádio de um museu estadual, transmitindo 24 horas de programação com base no rico acervo musical da Fundação. Desde sua criação, já foram ao ar mais de 700 matérias, mais de 150 playlists e mais de 30 podcasts, com conteúdos que alcançaram ouvintes em 84 países diferentes. No canal da Fundação no YouTube, já são mais de 100 vídeos com produções associadas à Rádio e ao universo cultural da F.MIS. A criação do Cineclube MIS, com filmes doados à instituição, fortaleceu a relação com o audiovisual. Novas salas de acervo foram inauguradas, simbolizando o fim das caixas e o início de uma nova etapa de conservação e acesso. E o Plano Museológico 2023–2028, outro marco da atual gestão, passou a nortear com profissionalismo as ações internas e externas do museu.
A lista de conquistas inclui ainda a produção da primeira HQ da F.MIS com foco em acessibilidade e inclusão, a gravação do primeiro videocast da instituição, uma live sobre inteligência artificial, o seminário sobre o choro no ano do seu reconhecimento nacional, além de um gesto emblemático, um take aéreo do navio NAM Atlântico com fuzileiros navais formando a sigla MIS. Exposições como “Heranças: 150 anos da imigração Italiana no Brasil” e “Retratos – Povos da Floresta” reforçaram o compromisso com a diversidade e os direitos culturais. A Fundação também inaugurou o estúdio “Chacrinha” de Podcast/Videocast da Rádio MIS RJ na sede da Lapa, uma homenagem ao icônico comunicador que marcou a história da televisão brasileira. No campo da formação, o curso FIC Assistente de Dramaturgia voltado para mulheres cis e trans, realizado em parceria com o CTAV na sede da Praça XV, foi mais um exemplo do empenho da instituição na promoção da igualdade de gênero e no acesso à cultura por meio da educação.
A Fundação também marca presença em eventos de projeção internacional, como o Rio Innovation Week 2025, um dos maiores encontros de tecnologia e inovação da América Latina. No dia 12/8, o presidente Cesar participará do painel “Tecnologia e Cultura Unindo Forças – Olhares sobre a IA que podem transformar o nosso futuro”, destacando o papel das instituições culturais na construção de um futuro mais conectado, criativo e acessível. A presença da F.MIS no evento reforça seu compromisso com a transformação digital e com o uso da inteligência artificial como aliada na preservação e difusão da memória cultural brasileira.
O acervo também se expandiu com importantes doações, como os arquivos de Ivan Lins, José Wilker, Ronaldo Câmara e Ortiz Rubio Alexim, este último conhecido por registrar momentos históricos como a construção do Maracanã. Já os Depoimentos para a Posteridade continuaram a ser gravados com ainda mais qualidade técnica, agora com duas câmeras, e com nomes como José Botelho, Beth Goulart, Christiane Torloni, Luiz Carlos Barreto, Abel Silva, Silvio Tendler, Arnaldo Niskier, Carlos Nejar, Myrian Dauelsberg, Ronaldo Câmara e Roseana Murray.
A trajetória recente também inclui a retomada das obras do MIS Copacabana, museu voltado para o futuro, de frente para o mar. E, acima de tudo, a F.MIS se manteve fiel ao seu propósito de ser um museu vivo, conectado com a cidade, com o estado e com o Brasil. A Fundação participa de festivais, encontros, formações, seminários, pesquisas e ações educativas. Produz conteúdo, promove cultura e estabelece diálogos com instituições públicas e privadas. E segue sendo feita por uma equipe apaixonada, que acredita na missão de preservar e compartilhar a memória do nosso país.
Ao completar seis décadas, a Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro reafirma seu papel como guardiã de um dos maiores acervos culturais do país. A F.MIS é, como diz o seu vídeo institucional, muito mais que um guardião da história, é a própria história. São 60 anos de feliz união entre a memória nacional e seu mais dedicado guardião. E que venham os próximos 60.
Publicado em 01/08/2025 por Marcelo Egypto