Vozes do Selo MIS: “Clementina, cadê você?”, na Rádio MIS RJ

  • 08/11/2025

Vozes do Selo MIS: “Clementina, cadê você?”, na Rádio MIS RJ

A Rádio MIS RJ apresenta mais uma edição do projeto de playlists “Vozes do Selo MIS”, que celebra a história da música brasileira a partir do acervo fonográfico da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. O próximo episódio irá ao ar nos dias 8 e 9 de novembro, às 9h30, 16h e 21h, trazendo o disco “Clementina, cadê você?”, lançado em 1970 pelo Selo MIS.

Este álbum é uma preciosidade do acervo da Fundação, pois marca o registro de uma das vozes mais emblemáticas da música popular brasileira. Clementina de Jesus representa a ancestralidade e a força da cultura afro-brasileira em sua forma mais pura. É uma artista que devolveu ao povo a consciência das suas raízes, e o Selo MIS teve o privilégio de eternizar essa força em disco”, destaca Cesar Miranda Ribeiro, presidente da F.MIS.

Gravado em 1970, “Clementina, cadê você?” é o primeiro disco solo da cantora, aos 68 anos, e traz interpretações de obras como “Sei lá, Mangueira” (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho) e “Vai de saudade” (Candeia e Davi do Pandeiro). O projeto reafirma a importância de Clementina como guardiã de um repertório ancestral, jongos, incelenças, sambas de roda e cantos religiosos que formam a base da música popular brasileira.

Clementina de Jesus da Silva nasceu em 7 de fevereiro de 1902, em Valença, Rio de Janeiro. Filha de Paulo Batista dos Santos, mestre de capoeira e violeiro, e de Amélia de Jesus dos Santos, parteira, aprendeu desde cedo os cantos de trabalho, ladainhas e jongos transmitidos oralmente por gerações. Conhecida carinhosamente como Quelé, Clementina trabalhou durante décadas como empregada doméstica até ser descoberta, aos 63 anos, pelo produtor e letrista Hermínio Bello de Carvalho, que a lançou no espetáculo “Rosa de Ouro” (1965). A partir dali, sua voz ecoou como símbolo de resistência, religiosidade e identidade negra no Brasil.

Sua trajetória foi marcada por colaborações com grandes nomes da música, como Pixinguinha, Paulinho da Viola, Elizeth Cardoso, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Clara Nunes e Martinho da Vila. Em vida, recebeu importantes homenagens, entre elas a Comenda da Ordem das Artes e Letras, concedida pelo governo francês em 1985.

O texto da contracapa do disco, assinado por Hermínio Bello de Carvalho, sintetiza a dimensão de Clementina:

“Clementina de Jesus não é somente um documento vivo do nosso folclore, em suas raízes primitivistas, Quelé tornou-se a repositária de um tipo de música que estava se extinguindo, porque não documentada em disco (…). Os sambas de roda, as cantigas de reisado, incelenças, os jongos e caxambús que aprendeu, e tudo mais que canta com emoção e encanto irresistíveis, são bem mais do que um retrato vivo da música brasileira, são uma inesgotável fonte de conhecimentos para aqueles que abordam a matéria popular como fonte de estudos.”

Clementina prestou seu Depoimento para a Posteridade ao MIS em 1967, em uma entrevista conduzida por Hermínio Bello de Carvalho e Ricardo Cravo Albin. O acervo da Fundação MIS preserva mais de 600 itens relacionados à artista, entre registros sonoros, documentos, fotografias e materiais iconográficos.

A playlist “Vozes do Selo MIS: Clementina, cadê você?” é uma homenagem à “Rainha Ginga”, como era chamada, e convida o público a revisitar uma das vozes mais comoventes e fundamentais da história da música brasileira.

Acompanhe a playlist nos dias 8 e 9 de novembro, às 9h30, 16h e 21h, na Rádio MIS RJ, e mergulhe na sonoridade que une o sagrado, o popular e o ancestral.

Quer conhecer mais sobre as ações da F.MIS e suas coleções? Agende uma visita ao Centro de Pesquisa, Memória e Documentação Ricardo Cravo Albin pelo e-mail saladepesquisa@mis.rj.gov.br.

Publicado em 08/11/2025 por Marcelo Egypto


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