Artigo histórico da Presidência: Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro inicia nova etapa com a chegada da nova sede em Copacabana.

  • 22/03/2026

Artigo histórico da Presidência: Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro  inicia nova etapa com a chegada da nova sede em Copacabana.

Com a aproximação da conclusão das obras e entrega da nova sede do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em Copacabana, aguardada pela população há muitos anos, inicia-se um novo capítulo na trajetória desta instituição que, desde 1965, preserva e difunde a memória cultural brasileira. Trata-se de uma importante entrega à sociedade fluminense, que amplia o acesso público à cultura, à educação e à inovação.

A inauguração será acompanhada por uma série de atividades e eventos preparatórios, enquanto a museologia e a preservação do acervo continuarão plenamente asseguradas nas sedes históricas da Praça XV e da Lapa.

É importante destacar que todo o acervo original da Fundação MIS permanece preservado e cuidadosamente acondicionado nessas unidades, que seguem desempenhando papel fundamental na guarda, no tratamento e na pesquisa dos materiais que compõem um dos mais relevantes conjuntos documentais da cultura brasileira. A nova sede em Copacabana nasce com outra vocação: será um espaço voltado à tecnologia, a exposições temáticas, à experimentação museológica e à ampliação do diálogo com o grande público, fortalecendo também o potencial turístico e educativo da cidade do Rio de Janeiro.

Desde 2021, com o início desta gestão, nossa atuação concentra-se na proteção integral do acervo e na realização de mais de 800 ações voltadas à sociedade, fortalecendo o reconhecimento e o respeito pela instituição.

Logo na nossa chegada, foram promovidas reuniões com a liderança do Governo do Estado do Rio de Janeiro e com a Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros que, com responsabilidade, restabeleceram a condução da obra e permitiram sua retomada. Esse esforço conjunto foi fundamental para que este projeto histórico avançasse de forma consistente.

Paralelamente, esta Presidência definiu diretrizes em conjunto com os servidores, em alinhamento com os órgãos governamentais e parceiros institucionais, consolidando uma gestão baseada na integração, na responsabilidade pública e na valorização técnica.

Como desdobramento dessa atuação, além do apoio museológico, idealizamos a corrida entre a sede original na Praça XV e a nova sede do MIS Copacabana, reafirmando simbolicamente a continuidade institucional. O evento, marcado para 29 de março de 2026, contou com amplo apoio governamental e forte adesão do público: todas as inscrições foram preenchidas em menos de três minutos, estabelecendo, segundo a organização, um recorde de procura.

Este momento também convida à reflexão sobre nossas origens. Em 3 de setembro de 1965, o então governador Carlos Lacerda inaugurou o primeiro Museu da Imagem e do Som do Brasil e, possivelmente, um dos primeiros do mundo dedicados especificamente à preservação de registros sonoros e audiovisuais. O projeto contou com a colaboração de seu primeiro diretor, o italiano Maurício Quadrio, que iniciou a mobilização da sociedade para a construção de um museu participativo, baseado na memória viva de seus protagonistas.

A primeira sede foi instalada na edificação que havia abrigado, em 1922, o Pavilhão do Distrito Federal durante as comemorações do centenário da Independência do Brasil, na região da Praça XV, área histórica do centro do Rio de Janeiro. A partir desse marco inicial, o MIS consolidou-se como instituição fundamental para a cultura brasileira.

Ao longo do tempo, o museu contou com a contribuição de importantes dirigentes e colaboradores. Entre eles, destaca-se Ricardo Cravo Albin, primeiro diretor executivo da instituição, responsável pela criação de uma de suas iniciativas mais marcantes: os Depoimentos para a Posteridade. Também merece destaque a participação de colecionadores e personalidades que confiaram seus acervos ao museu, como Henrique Foréis Domingues, o Almirante, considerado a maior patente do rádio brasileiro.

Desde então, o MIS tornou-se protagonista da vida cultural carioca e brasileira. A instituição esteve presente em momentos decisivos da cultura nacional, apoiando movimentos musicais como o samba, a bossa nova e o choro, participando de festivais de música e cinema, realizando exposições e promovendo importantes resgates históricos.

Entre seus maiores legados está o programa Depoimentos para a Posteridade, iniciado em 1966. Por meio dessa iniciativa, grandes nomes da cultura, do esporte e da vida pública brasileira registraram suas histórias em gravações extensas e detalhadas. Hoje, o acervo reúne mais de mil depoentes, constituindo uma fonte de pesquisa de valor inestimável.

Ouvir a voz de personalidades como Pixinguinha, Clarice Lispector, Pelé, Donga e João da Baiana, entre tantos outros, proporciona aos pesquisadores contato direto com a narrativa de quem viveu e construiu a história cultural do país. Esses depoimentos, muitas vezes com várias horas de duração, alimentam pesquisas acadêmicas, documentários, filmes, livros e dissertações desenvolvidos a partir do trabalho realizado pelo Centro de Pesquisa Ricardo Cravo Albin, em nossa sede da Lapa.

A Fundação MIS continuará cumprindo sua missão de promover cultura, educação e memória. A chegada da nova sede em Copacabana representa o ponto culminante de uma trajetória que reafirma o museu como instituição plural, democrática e aberta a todos. Mais do que uma nova edificação, trata-se de um espaço de encontro entre tradição e inovação, onde o passado é preservado, o presente é interpretado e o futuro é construído com base no acesso público ao conhecimento.

Nos últimos anos, a instituição também ampliou seu protagonismo em iniciativas tecnológicas e de difusão cultural. A Fundação MIS foi pioneira no estado do Rio de Janeiro na operação de uma rádio digital contínua baseada em acervo institucional, transmitindo 24 horas por dia músicas e conteúdos culturais produzidos pela própria equipe.

Também foi criado o banco de dados on-line do museu, permitindo que pesquisadores e interessados, em qualquer parte do mundo, tenham acesso ao conhecimento sobre o acervo da instituição, que já se aproxima de um milhão de itens catalogados.

Diversas exposições recentes incorporaram o uso responsável da inteligência artificial. Entre elas, destacam-se as mostras dedicadas a Assis Chateaubriand, o Chatô, e a Carnaval: uma paixão carioca. O museu também desenvolveu protocolo interno para o uso regulatório da inteligência artificial em ambiente museológico, contribuindo para o debate contemporâneo sobre tecnologia e patrimônio.

Nesse contexto, foi criado o projeto MIA, Memória de Inteligência Artificial, atualmente em fase experimental. A iniciativa realiza a transcrição automatizada dos Depoimentos para a Posteridade. Antes, pesquisadores precisavam ouvir horas de gravação para localizar trechos específicos. Com o novo sistema, será possível acessar textos transcritos e cruzar informações entre depoimentos, ampliando significativamente as possibilidades de pesquisa em um universo superior a mil registros históricos. Trata-se de uma tecnologia desenvolvida pelos próprios servidores da instituição e sem custo para a sociedade.

A Fundação MIS é, portanto, um verdadeiro celeiro de conhecimento. Com a entrega da edificação do MIS Copacabana, as sedes da Praça XV e da Lapa serão ainda mais fortalecidas em sua função acadêmica e de preservação.

Está prevista, inclusive, a futura reforma da sede da Lapa e a integração plena do espaço da antiga Escola Maria Olenewa, ampliando as áreas destinadas à guarda de acervos e possibilitando novas parcerias acadêmicas. A instituição já mantém acordos de cooperação com universidades e vislumbra a ampliação de cursos e projetos nas áreas de história, museologia e outras disciplinas relacionadas à memória cultural.

Assim, pesquisadores, estudantes, produtores culturais e todos aqueles que buscam informações confiáveis sobre a história de nossos compositores, cantores e personalidades da cultura brasileira encontram na Fundação MIS uma fonte fundamental.

A nova sede do MIS Copacabana consolida, portanto, um projeto de Estado que valoriza a cultura como elemento estratégico de desenvolvimento, identidade e cidadania, reafirmando o compromisso com as futuras gerações. Mais do que a entrega de uma edificação, erguida em pilares, ferro e concreto, este espaço se completa com a essência da cultura brasileira, construída ao longo de quase 61 anos de atuação da Fundação MIS. É essa trajetória que agora habita o novo equipamento, levando consigo o espírito cultural de nossos grandes compositores, intérpretes e personalidades, homens e mulheres que confiaram à instituição a preservação de seus legados, hoje devolvidos à sociedade em forma de memória viva e acessível.

Cesar Miranda Ribeiro

Presidente da Fundação MIS desde 2021

Publicado em 22 de março de 2026


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