Artigo de Daiane Lopes: Por entre lentes e fatos - Copacabana em destaque no acervo Ronaldo Câmara da F.MIS

  • 23/04/2026

Artigo de Daiane Lopes: Por entre lentes e fatos - Copacabana em destaque no acervo Ronaldo Câmara da F.MIS

Por Daiane Lopes*

Existem praias tão lindas cheias de luz

Nenhuma tem o encanto que tu possuis

Tuas areias, teu céu tão lindo

Tuas sereias sempre sorrindo

Copacabana princesinha do mar

Pelas manhãs tu és a vida a cantar

E à tardinha o Sol poente

Deixa sempre uma saudade na gente

Copacabana o mar eterno cantor

Ao te beijar ficou perdido de amor

E hoje vivo a murmurar só a ti

Copacabana eu hei de amar

(Alberto Ribeiro e Braguinha)

A clássica canção dos compositores Alberto Ribeiro e João de Barro (Braguinha) nos leva ao bairro de forma poética e idílica, uma Copacabana romantizada que a todos seduz com seus dias ensolarados, seu mar azul-do-céu, seu calçadão marcado pelo desenho das ondas, suas importantes e imponentes edificações históricas, como o luxuoso Copacabana Palace, seus habitantes e turismo, sua boêmia e seu espírito festivo, que se traduz em grandes festas, como o Réveillon e o Carnaval. Todo esse conjunto faz de Copacabana um símbolo que ultrapassa as fronteiras nacionais e ganha o mundo, tornando-se um palco internacional que não foi descrito tão somente por meio de canções de outrora, mas também pela literatura, pela indústria do cinema e pela fotografia, ontem e hoje. Desse modo, vale destacar a importante doação feita recentemente (2022) pelo renomado fotógrafo Ronaldo Câmara ao Museu, conhecido por ser um grande retratista de artistas e da sociedade fluminense das décadas de 1960-70 aos dias atuais e que nos brindou com belas fotos também da paisagem de Copacabana e que nos remete aos versos da música que abre o presente texto, no qual paisagem solar, beleza e mar se fundem em fotografias “cheias de luz” .

No caso especial do setor iconográfico da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, há cerca de mil e novecentos itens imagéticos ligados ao bairro, distribuídos pelas principais coleções salvaguardadas e disponibilizadas pelo Setor. O que demonstra a importância do lugar aos que o escolheram para registros históricos e emblemáticos, afinal Copacabana se transforma em símbolo nacional e internacional. Destaca-se também a presença de registros de imagens do bairro, ainda na primeira metade do século XX, nas coleções históricas dos fotógrafos Augusto Malta e Guilherme Santos, ambos retrataram uma Copacabana nascente nos termos que a conhecemos hoje, mas já com símbolos eternizados atualmente em nossa memória coletiva, pois já estavam presentes o Copacabana Palace, a praia enquanto lugar de lazer e sociabilidade, o início das edificações na orla, a primeira versão de seu calçadão com pedras portuguesas, por exemplo. Era uma Copacabana que começava a despontar para o mundo. Já na segunda metade do século XX, as coleções do jornalista Sérgio Cabral e MIS, sobretudo, eternizam por meio de suas fotografias, a importância de Copacabana para o Brasil e para o mundo, a partir de fatos históricos como ser o espaço que inspirou o surgimento da Bossa Nova, haja vista que os primeiros encontros musicais proporcionados no apartamento da família de Nara Leão tiveram como cenário de inspiração o mar de Copacabana, sem contar que foi também no bairro que se teve a única apresentação musical na qual dividiram um mesmo palco Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto e “Os Cariocas”. A noite histórica do show “Um Encontro” se deu no restaurante “Au Bon Gourmet”, localizado no bairro de Copacabana, no ano de 1962. O que reafirma ser Copacabana uma das escolhas artísticas preferidas como cenário de inspiração e realização da cultura carioca para o mundo, apenas para citar mais alguns exemplos de cantores que cantaram e se encantaram com o bairro temos: Dorival Caymmi, Tom Jobim, Dick Farney, Jorge Goulart, Maria Bethânia, Nana Caymmi, Braguinha, Gilberto Gil e tantos outros quilates de nossa música popular brasileira, legitimando o bairro como referência cultural para o mundo. Algo que até os dias de hoje se mantém, haja vista os muitos artistas internacionais que escolhem se apresentar nos palcos montados nas areias de Copacabana, tal qual em um passado recente, nomes como Madonna e Lady Gaga fizeram história com suas apresentações monumentais.

Palco esse que também serviu de cenário inspiração para o fotógrafo Ronaldo Câmara eternizar em imagens, vale destacar que sua coleção é composta de mais de setenta mil itens iconográficos, com grande destaque artístico e cultural para a memória e história nacionais. São fotografias de compositores e cantores como Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Paulinho da Viola e outros grandes nomes de nossa MPB, mas também de artistas como Chico Anysio, Ziraldo, Vera Fischer, entre tantos outros. Sem contar seu importante registro das tribos originárias do centro do Brasil, como os Araras e Beiços-de-pau e das fotos aéreas, panorâmicas e de paisagens, nas quais Copacabana se destaca, com um imenso azul, proveniente da união entre céu e mar.

Por fim, buscou-se ressaltar por meio dos registros fotográficos existentes no acervo salvaguardado pela F.MIS a relevância de Copacabana na história e memória culturais do país, sendo um símbolo nacional que traduz em muitos aspectos nossa identidade. Não à toa foi e é cenário para que artistas se inspirem e criem em forma de sons e imagens o viver em Copacabana, eternizada na memória coletiva como sendo a “princesinha do mar”.

*Daiane Lopes é pós-doutora em História Social e Política pela UERJ e coordenadora do Setor Iconográfico da F.MIS. 



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