F.MIS promove debate sobre inteligência artificial e línguas indígenas em encontro marcado pela escuta e pela preservação cultural

  • 07/05/2026

F.MIS promove debate sobre inteligência artificial e línguas indígenas em encontro marcado pela escuta e pela preservação cultural

A Fundação Museu da Imagem e do Som realizou hoje, 7/5, na Fototeca Estadual do Rio de Janeiro, localizada na sede Lapa da instituição, o debate “Protocolo de Escuta: quando a IA não reconhece uma língua viva”. O encontro reuniu cultura, tecnologia, memória e responsabilidade institucional em uma reflexão inédita sobre a presença das línguas indígenas nos sistemas de inteligência artificial.

“A tecnologia precisa aprender a escutar. Quando uma inteligência artificial não reconhece uma língua viva, o que está em jogo não é apenas uma limitação técnica, mas uma questão de memória, identidade e respeito cultural. A F.MIS entende que preservar cultura também significa criar espaços onde essas vozes sejam ouvidas, reconhecidas e incorporadas de maneira ética e responsável”, destacou o presidente da Fundação, Cesar Miranda Ribeiro.

O debate teve como convidado central o professor indígena Júlio Kamêr Apinajé, do Tocantins, representante do povo Apinajé. A iniciativa surgiu a partir de uma experiência vivida pelo professor durante visita à exposição “Chatô e os Diários Associados – 100 Anos de Paixão”, realizada na F.MIS no ano passado. Na ocasião, ao tentar se comunicar com a inteligência artificial Orion Nova utilizando a língua Panhĩ kapêr, idioma do povo Apinajé, Júlio não obteve resposta da plataforma.

O episódio, longe de ser tratado apenas como uma falha tecnológica, tornou-se ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre os limites da inteligência artificial diante das culturas originárias e sobre a necessidade de construir relações mais responsáveis entre tecnologia e diversidade linguística.

Durante o encontro, Júlio Kamêr Apinajé compartilhou elementos da língua e da cultura de seu povo, ensinando expressões em Panhĩ kapêr para os presentes, entre eles o presidente Cesar, o criador da Orion Nova, Marcos Nauer, e os servidores da Fundação. O debate transformou o erro em método: escutar, validar, registrar e aprender com quem carrega uma língua viva.

Com Júlio no centro da roda, o encontro promoveu um diálogo entre memória, imagem, tecnologia e preservação cultural, reforçando a importância da escuta como princípio fundamental para qualquer processo de inovação envolvendo patrimônios culturais e saberes ancestrais.

Ao final do debate, foi assinado o “Protocolo de Escuta – Inclusão de Línguas Indígenas em Inteligências Artificiais”, documento institucional da F.MIS que estabelece um marco simbólico e conceitual na relação entre museus, povos originários e inteligência artificial. O protocolo reforça a compreensão de que uma língua viva não pode ser incorporada à tecnologia apenas como dado técnico, mas precisa entrar nesses sistemas por meio de relação, consentimento e escuta.

O evento entra na lista das atuações da F.MIS como uma instituição comprometida não apenas com a preservação da memória, mas também com os debates contemporâneos que envolvem cultura, ética, tecnologia e diversidade. Abrindo espaço para esse diálogo, a Fundação amplia o papel dos museus como territórios vivos de reflexão, aprendizagem e construção coletiva de futuro.

Publicado em 07/05/2026 por Marcelo Egypto


#Compartilhe

Aplicativos


No Ar

Top 5

top1
1. Primavera no Rio

Braguinha

top2
2. Xote de Copacabana

Jackson do Pandeiro

top3
3. Copacabana

Dick Farney

top4
4. Retrato em Branco e Preto

Tom Jobim

top5
5. O Barquinho

Wanda Sá e Roberto Menescal

Oferecimento