Vozes do Rádio: F.MIS inicia série de homenagens a grandes radialistas brasileiros com tributo a Carlos Noronha
- 08/05/2026
A Fundação Museu da Imagem e do Som dá início ao projeto “Vozes do Rádio”, uma série de matérias especiais dedicada à valorização de radialistas que marcaram a história da comunicação brasileira. O primeiro homenageado será o inesquecível Carlos Noronha, reconhecido como uma das grandes vozes do rádio nacional e lembrado não apenas pelo talento profissional, mas também pela elegância, discrição e humanidade com que conduziu sua trajetória.
“O rádio brasileiro foi construído por vozes que atravessaram gerações e criaram vínculos afetivos profundos com o público. Carlos Noronha representa essa dimensão humana e cultural do rádio, uma voz marcante, mas também um homem correto, sensível e comprometido com aquilo que comunicava. Iniciar o projeto ‘Vozes do Rádio’ com sua história é uma forma de preservar e valorizar um patrimônio afetivo da nossa cultura”, destaca o presidente da F.MIS, Cesar Miranda Ribeiro.
Dono de uma voz admirada e frequentemente elogiada nas páginas dos jornais da época, Carlos Noronha construiu uma carreira sólida e respeitada no rádio brasileiro, com passagens por emissoras históricas como a Rádio Globo e a Rádio MEC. Sua presença no microfone era marcada pela leveza, pela clareza e pela capacidade de estabelecer uma conexão genuína com os ouvintes.
“Em 1960, eu era estudante universitário e a Rádio Globo abriu um concurso para locutores, e eu me inscrevi. Carlos Noronha foi o primeiro colocado nesse concurso, tinha muita gente boa. A minha primeira experiência com o Carlos Noronha foi essa, um excelente locutor, muito bom, um dos maiores que já passaram pelo rádio do nosso país. Carlos era muito bom em ler notícias”, relembra o professor Roberto Salvador.
Mais do que um comunicador, Carlos Noronha entendia o rádio como ponte entre pessoas, sentimentos e ideias. A voz de um locutor não é apenas som, é identidade, memória e confiança. É por meio dela que pensamentos ganham forma, emoções alcançam o público e uma emissora cria laços duradouros com sua audiência. No rádio, a voz se transforma em presença cotidiana, acompanhando gerações e ajudando a construir a própria história da cidade e do país.
Carlos Noronha também teve participação importante em um movimento marcante da memória cultural carioca, a campanha pelo restabelecimento de “Cidade Maravilhosa”, de André Filho, como hino oficial da cidade do Rio de Janeiro. Através de seus programas na Rádio Globo, especialmente nas madrugadas, o radialista mobilizou ouvintes, promoveu debates e fortaleceu o movimento em defesa do retorno do hino à identidade carioca. A Fundação Museu da Imagem e do Som também esteve entre as instituições que atuaram na preservação dessa memória simbólica da cidade.
Ao lançar o projeto “Vozes do Rádio”, a F.MIS mantém o seu compromisso com a preservação da memória da comunicação brasileira e com o reconhecimento de profissionais que ajudaram a construir o imaginário afetivo do país através das ondas do rádio.
Existem vozes que não desaparecem com o tempo. Permanecem vivas na lembrança de quem ouviu, emocionou-se e encontrou companhia do outro lado do aparelho. Carlos Noronha foi uma dessas vozes, e agora passa a integrar, de forma ainda mais permanente, a memória preservada pela Fundação Museu da Imagem e do Som.
Publicado em 08/05/2026 por Marcelo Egypto







