Rádio MIS RJ entrevista Cesar Miranda Ribeiro e Danielle Barros sobre o futuro do MIS Copacabana, tecnologia e memória cultural
- 23/05/2026
O presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som, Cesar Miranda Ribeiro, e a Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, concederam entrevista à Rádio MIS RJ sobre o avanço das obras, os desafios museológicos e o impacto cultural do novo MIS Copacabana. Durante a conversa, ambos destacaram a importância do equipamento para a preservação da memória fluminense e para o fortalecimento da cultura e da economia criativa do estado.
“A responsabilidade da Fundação MIS no projeto do MIS Copacabana é salvaguardar e subsidiar os conteúdos museológicos que servirão de base para as curadorias das exposições previstas para a nova unidade. Ao longo desse período, a instituição também avançou em conteúdo, com a incorporação de novas coleções ao acervo, ampliando as possibilidades curatoriais e disponibilizando novos conjuntos que poderão ser utilizados na programação do MIS Copacabana”, destacou Cesar.
O presidente da Fundação também ressaltou o trabalho desenvolvido pela instituição na preservação e ampliação do acesso digital ao acervo histórico do museu. Segundo Cesar, o plano museológico da F.MIS, atualizado até 2028, já contempla os desafios e possibilidades trazidos pelas novas tecnologias.
“A disponibilização do banco de dados na internet ampliou de forma decisiva o acesso ao acervo, permitindo que cidadãos de qualquer lugar do mundo consultem nossas informações. Com o avanço da inteligência artificial, desenvolvemos protocolos próprios para integrar essas ferramentas às exposições e às atividades do museu, aproximando passado e futuro dentro do ambiente museal”, afirmou.
Cesar também destacou iniciativas recentes ligadas à inovação tecnológica, como a criação da Orion Nova, inteligência artificial desenvolvida especialmente para as atividades da Fundação.
“A Fundação MIS tornou-se o primeiro museu a registrar, por uma hora contínua, um depoimento para a posteridade realizado por uma inteligência artificial. Passamos a ter em acervo o depoimento de um agente não humano, material que poderá servir de objeto de estudo nas próximas décadas, contribuindo para reflexões sobre memória, tecnologia e cultura”, explicou.
Sobre o futuro da sede histórica da Lapa, o presidente garantiu que o espaço seguirá exercendo papel fundamental na estrutura da instituição.
“A sede da Lapa continuará sendo o principal local de guarda do acervo e referência para pesquisa. O espaço será fortalecido com obras de restauração e ampliação das reservas museológicas, além da incorporação de uma antiga escola situada nos fundos da sede. Já o MIS Copacabana será direcionado prioritariamente às exposições e experiências imersivas para o público”, destacou.
Durante a entrevista, Danielle Barros enfatizou o compromisso do Governo do Estado com a conclusão do novo equipamento cultural.
“Estamos no momento de finalização da parte da obra, tão esperada pela população. Também estamos definindo a estrutura administrativa ideal para o museu, com o envolvimento de profissionais altamente qualificados do quadro técnico do MIS nos processos de gestão e nas funções relacionadas ao acervo”, afirmou a secretária.
Danielle também destacou o esforço do Governo do Estado para retomar e viabilizar financeiramente o projeto após anos de paralisação.
“A decisão de retomar o investimento em 2021 foi motivada pelo reconhecimento da relevância do projeto para a cultura fluminense. Após a suspensão do financiamento pelo BID, o Governo do Estado assumiu a conclusão das obras com recursos próprios para garantir a entrega deste importante equipamento cultural”, explicou.
Segundo a secretária, o novo MIS terá impacto direto na economia criativa e no turismo cultural do Rio de Janeiro.
“Estudos apontam que o novo MIS poderá gerar um impacto econômico anual adicional de R$ 373 milhões para o município do Rio de Janeiro. O equipamento reforça o investimento que o Governo vem realizando no setor cultural e criativo do estado, fortalecendo o turismo, a geração de emprego e a valorização da cultura brasileira”, ressaltou Danielle Barros.
A nova sede do MIS em Copacabana já está parcialmente aberta ao público, com visitas à exposição temporária “Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som”. A mostra apresenta os bastidores da construção do novo museu, os conceitos arquitetônicos inspirados no calçadão de Burle Marx e os desafios técnicos envolvidos na realização do projeto.
Fechado atualmente para a fase de museografia, o MIS Copacabana terá todos os seus andares abertos ao público até o final deste ano. O espaço contará com salas de exposições de curta e longa duração, áreas educativas, cineteatro, auditório, cafeteria, restaurante panorâmico, mirante e diversos ambientes voltados à pesquisa, convivência e experiências culturais.
Ao final da entrevista, Cesar relembrou o discurso inaugural do Museu da Imagem e do Som, proferido em 1965 pelo então governador Carlos Lacerda, destacando a atualidade da missão institucional do museu.
“O MIS nasce e permanece como um espaço voltado à preservação da memória, à valorização da cultura e à construção de futuro. O novo MIS Copacabana representa justamente esse encontro entre tradição, inovação e identidade cultural brasileira”, concluiu.
O MIS Copacabana surge como um dos mais importantes equipamentos culturais em construção no país, reunindo memória, tecnologia, arte e experiências imersivas em um projeto arquitetônico inovador voltado para a valorização da cultura brasileira. Inspirado no conceito de “boulevard vertical”, o espaço foi concebido para transformar a relação do público com o patrimônio cultural, conectando exposições, pesquisa, educação, audiovisual e novas tecnologias em pleno coração de Copacabana. Mais do que uma nova sede, o MIS se consolida como uma “Fábrica de Memória”, dedicada a preservar o passado, registrar as expressões contemporâneas do Rio de Janeiro e projetar novas formas de acesso à cultura para as futuras gerações.
Publicado em 23/05/2026 por Marcelo Egypto







